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11 de Maio de 2020
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Cresce a busca por profissionais da área de cibersegurança
Bancos e empresas disputam talentos na área, que sofre com escassez de especialistas



A adoção do trabalho remoto por causa da pandemia e o aumento de ataques virtuais estão impulsionando a demanda das empresas do país por profissionais de tecnologia, principalmente na área de cibersegurança. Consultorias de recrutamento e seleção, fornecedores de TI e startups ouvidos pelo Valor relatam uma corrida para encontrar talentos em um setor que sofre com a falta de pessoas qualificadas mundo afora.

Hoje, esse mercado emprega 2,8 milhões de profissionais em dez países, mas o déficit global chega a 4 milhões, com maior lacuna na região da Ásia e Pacífico (2,6 milhões), seguida pela América Latina (600 mil), conforme relatório do (ISC)², uma das principais organizações da área. Com a segunda maior força de trabalho em cibersegurança, atrás dos Estados Unidos, o Brasil tem um desafio adicional: a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), adiada de agosto deste ano para maio de 2021.



O aumento na utilização dos canais digitais nos bancos elevou o risco de exposição a golpes on-line durante a pandemia. Para combater a escalada de ataques de hackers e tentativas de roubo de dados de clientes, eles tiveram que fortalecer seu arsenal de segurança e com isso ajudaram a acirrar a disputa por talentos na área de cibersegurança.

O Itaú Unibanco , o maior banco privado do país, está com cerca de 450 vagas abertas em tecnologia e, desde janeiro, contratou quase 500 pessoas. "Dentro do nosso plano de expansão de tecnologia, a gente prevê aumentar em 150 o número de vagas para profissionais na área de segurança este ano, e parte delas já foram preenchidas", conta Valéria Marretto, diretora de recursos humanos do Itaú Unibanco.

No LinkedIn, o Itaú Unibanco tem vagas, por exemplo, para analista de segurança da informação e coordenador de prevenção a fraudes. Segundo Valéria, profissionais que costumam ser muito disputados. "É um mercado difícil de precificar, assim como os cientistas de dados. É preciso criar um ambiente para atrair essas pessoas", explica. Entre os pré-requisitos para fazer parte do time de segurança do banco, a formação é o item menos importante, segundo ela. "Geralmente, buscamos pessoas que gostam de fuçar, os hackers do bem."

"Com uso do celular, a área de contato multiplicou muito", explica Waldemar Ruggiero Jr., diretor de infraestrutura de tecnologia da informação (TI) do Bradesco, o que aumenta a exposição e os riscos de segurança. No banco, 93% das transações hoje são realizadas por canais digitais (celular, internet banking e telefone). Há quatro anos, a instituição vem reforçando a área de segurança. A equipe dobrou de 150 para 400 funcionários. Hoje, o time é dividido em dois departamentos: um que cuida da chamada segurança "perimetral", monitorando possíveis ataques, por exemplo, e outra que cuida das regras de segurança. O reforço contou, inclusive, com a migração de empregados de agências para o time de segurança.

Segundo Ruggiero, o grande desafio neste período de quarentena é manter a equipe de tecnologia tranquila, ainda que a distância. "No caso do pessoal de segurança, o trabalho é 24 por 7, o que faz com que precisemos atuar a qualquer minuto", diz.

Outros bancos, como Safra e BV (antigo Votorantim), também publicaram nas últimas semanas em plataformas on-line oportunidades para analistas e especialistas em segurança da informação. No Banco do Brasil (BB), não há mais vagas na área de cibersegurança, segundo informou Monica Luciana Martins, gerente-executiva da diretoria de segurança institucional do BB. Hoje, o banco conta com 130 profissionais diretamente envolvidos com segurança cibernética e prevenção a fraudes eletrônicas, além de outros 50 de áreas relacionadas. Em TI, ao todo, são 4.000 funcionários.

Antes da covid-19, empresas de outros setores da economia também já haviam saído à çaça de profissionais de segurança digital preocupadas com a privacidade de dados e a adequação à nova legislação. Isso explica o aumento na procura por analistas, especialistas e líderes de cibersegurança.

Nos últimos dois meses, a busca mudou e reflete as novas demandas provocadas pelo isolamento social e a maior utilização do home office. A busca cresceu por pessoas com conhecimento em conectividade remota, infraestrutura de segurança e implantação de VPN (sigla em inglês para rede privada virtual), aponta Marcelo Lau, executivo que atuou por mais de 12 anos na área de segurança da informação do Itaú e no antigo Unibanco. Atualmente, ele coordena o MBA em cibersegurança da FIAP.

Na consultoria de recrutamento Talenses, os principais perfis procurados hoje são arquitetos, analistas e especialistas em segurança da informação, além de desenvolvedores especializados em segurança, com oferta de vagas para consultor, gerente sênior, líder e coordenador. O PageGroup também nota uma demanda maior por analistas de cibersegurança, com salários entre R$ 7 mil e R$ 11 mil, e líderes de cibersegurança, cuja remuneração vai de R$ 25 mil a R$ 35 mil.

Segundo Paulo Moraes, diretor da filial da Talenses no Rio de Janeiro, o crescimento acelerado de empresas de tecnologia, startups e os planos de transformação digital nas grandes companhias também puxou a busca por profissionais de segurança cibernética e digital. "Com a pandemia, muitas empresas estão tirando do papel projetos de transformação digital nas grandes companhias também puxou a busca por profissionais de segurança cibernética e digital. "Com a pandemia, muitas empresas estão tirando do papel projetos de transformação digital. Consequentemente, os ataques de hackers também podem se tornar mais frequentes", afirma.

Com uma equipe de 500 funcionários na América Latina, sendo 100 no Brasil, a multinacional de segurança cibernética Fortinet contratou cinco pessoas neste ano e está com dez posições abertas para diversas áreas. "A intenção é abrir de 15 a 20 vagas até o fim do ano. Nosso time cresceu 37% em 2019", conta Frederico Tostes, gerente-geral da Fortinet

Além das competências técnicas, a organização valoriza características como flexibilidade e autonomia. "A pessoa precisa ter capacidade de trabalhar remotamente porque a estrutura da equipe sempre foi assim", explica Tostes. Para ajudar na descoberta de talentos, a empresa mantém parcerias com faculdades de tecnologia e também oferece treinamentos para alunos de escolas como FIAP e Impacta.

A Stefanini Rafael, empresa do grupo Stefanini especializada em segurança cibernética, tem 14 vagas abertas para as áreas de operações, Centro de Operações de Segurança (SOC, em inglês) e arquitetura de soluções. "Também vamos abrir vagas para ?ethical hacking?. É um perfil muito difícil de encontrar nono mercado", afirma o Leidivino Natal, CEO da Stefanini Rafael, que hoje tem 52 pessoas na equipe.

Entre as principais habilidades exigidas pela companhia, o executivo cita a proatividade. "Além do conhecimento técnico em infraestrutura, firewall, antivírus, gestão de identidade, o profissional precisa ir atrás das coisas, ser curioso e entender as mudanças no mercado. E por último, ser discreto", aponta. Segundo ele, a formação na área ainda é muito voltada para a tecnologia. É importante que a segurança seja encarada como parte do todo, inclusive para a continuidade de negócios.

A Wavy, empresa de experiência do consumidor do grupo Movile com 270 funcionários, dobrou o time de segurança nos últimos quatro meses e planeja novas contratações para a área, hoje com sete profissionais. "Temos duas vagas em aberto nas equipes de segurança, mas há uma expectativa de contratar mais profissionais até o fim do ano", conta Marcia Asano, diretora de operações da Wavy. Entre as habilidades mais requisitadas pela companhia estão: vivência em práticas reais de ataque e conhecimento de técnicas e ferramentas de defesa.

Marcia lembra que, durante anos, muitos profissionais de tecnologia se especializaram em áreas como desenvolvimento, infraestrutura, banco de dados e design, mas poucos se dedicaram à área de segurança. "Se já é difícil buscar profissionais de tecnologia altamente capacitados e alinhados com a nossa cultura, é ainda mais difícil encontrar profissionais de tecnologia altamente capacitados e alinhados com a nossa cultura, é ainda mais difícil encontrar profissionais qualificados em segurança", observa. Na Wavy, sete pessoas atuam com compliance e cibersegurança.

Para Maximiliano de Carvalho Jácomo, coordenador do MBA em segurança cibernética do Instituto de Gestão e Tecnologia da Informação (IGTI), quem vai trabalhar na área precisa ter um profundo conhecimento técnico de banco de dados, infraestrutura local e nuvem. Isso porque, assim como a tecnologia avança, os tipos de ameaças e golpes ficam mais diversificados e criativos. Mas também é fundamental conseguir traduzir todas as tecnologias e ferramentas em soluções para o negócio. "O profissional saber ser mutante para se adaptar à realidade, mas entendendo o modelo de negócio."

Fonte: Valor Econômico



















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