Notícias
Responsabilidade Social
19 de Junho de 2019
Tamanho da letra Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir
Jantar às Cegas: experiência sensorial emociona público em evento do CADEVI
Iniciativa promovida pelo Centro de Apoio aos Deficientes Visuais apresentou aos participantes um pouco da rotina dos deficientes visuais



Uma explosão de sensações se mistura à falta de jeito com talheres e copos. Uma taça cai ao lado; bebida para todo lado. Para quem enxerga, esta cena pode parecer improvável. Mas a experiência de um jantar às cegas pode ser um dos caminhos para a inclusão, a solidariedade e a empatia da sociedade com os deficientes visuais.

Este é um dos objetivos do evento organizado pelo Centro de Apoio aos Deficientes Visuais (CEDEVI) na noite desta terça-feira, 18, no restaurante da Sala São Paulo, um dos locais mais importantes para a cultura da capital e do País.

Ao chegar, as pessoas receberam uma venda e tiveram a oportunidade de apreciar um jantar completo composto por entrada, prato principal e sobremesa, além de degustar uma carta de vinhos escolhida por dois sommeliers.

A empresária Marcia Domingos reconheceu que, a princípio, a sensação é de desconforto. "Num primeiro momento, fiquei enjoada. Tive uma sensação parecida com aquela quando eu estou dentro de um carro como passageira e estou fazendo outra coisa, como ler, enquanto alguém dirige. Dá uma sensação estranha. Aí comecei a respirar para perceber melhor as experiências", conta, elogiando a iniciativa e reconhecendo a importância da experiência.

Ela ficou sabendo do jantar por intermédio do amigo Giacomo Chiarella, gerente-geral da administração da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a OSESP, que já teve uma experiência anterior. Segundo Marcia, mesmo com alguns exemplos vividos durante a noite especial, os obstáculos que os cegos precisam enfrentar diariamente são infinitamente maiores. "Tenho um respeito gigantesco", afirma.

Inclusão

O presidente do CADEVI, Vitor Badra, e o relações públicas, Lothar Bazanella, concordam que a inclusão é o objetivo da entidade em todos os encontros e iniciativas desenvolvidas. "O evento serve para que as pessoas vivam um momento de conscientização de que a cegueira não é o fim de tudo", diz Bazanella.

Primeiro presidente do Centro a enxergar, Badra explica que o "o CADEVI é uma grande mistura de gente que enxerga e não enxerga. E reitera o propósito do jantar. "O evento é feito para que conquistemos novos amigos e, assim, convidá-los a contribuir com nosso trabalho, com o que a gente faz", destaca. Esta é a segunda edição do encontro, que contou com a participação de quase 60 pessoas.

Parceiro do CADEVI há anos, o Sindpd prestigiou o evento representado pelo vice-presidente João Antônio Nunes, que considerou a iniciativa um exemplo para a vida daqueles que enxergam.

"O fato de você usar a venda faz com que você preste mais atenção em coisas que te passam despercebidas. Você se concentra mais nos sons, no espaço físico, na conversa com as pessoas. Abandona um pouco o celular para prestar atenção naquilo que está à sua volta. Essa experiência é muito interessante", revela.

Viver com deficiência

Fundado em 1984 por um grupo de ex-alunos do Instituto Padre Chico, o CADEVI nasceu com o propósito de promover atividades esportivas específicas para deficientes visuais. As práticas esportivas eram, inicialmente, realizadas nas praças de São Paulo e foram conquistando adeptos aos poucos.

A previsão para 2019 é de 10 mil atendimentos feitos pela entidade. São feitos trabalhos com pessoas a partir de 10 anos. Lothar Bazanella diz que atualmente há deficientes com mais de 80 anos sendo assistidos pela instituição.

"As pessoas perdem a visão depois de adultas e acham que a vida acabou. Nós queremos mostrar que não é bem assim. As pessoas podem continuar a fazer as coisas só que de maneira diferente. Para desmistificar aquela coisa de como o cego consegue se servir, comer com garfo e faca", analisa o relações públicas do CADEVI.

Ele reforça a importância do apoio do Sindpd para a vida de muita gente. "Se não fosse a parceria com o Sindpd, o CADEVI teria de fechar as portas", diz.

Qualquer pessoa pode ser voluntária e ou fazer sua doação. Para mais, informações, acesse o site da entidade.

Veja a galeria de fotos.








Compartilhe

LEIA TAMBÉM