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11 de Maio de 2021
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O colapso pós-pandemia na área de TI: altos salários e baixa qualificação?
Se de um lado há uma grande demanda, de outro há a percepção de que existem poucos profissionais realmente qualificados para as posições em aberto.



Sim...TI é uma área que paga bem! Dentre as profissões que não exigem diploma universitário e não são regulamentadas, as voltadas para TI estão entre as mais bem remuneradas. Os salários chegam a superar diversas profissões que exigem nível superior. E tem muita gente que escolhe entrar nessa área por isso.

Mas TI não é para qualquer um. Para se tornar um profissional diferenciado e bem remunerado, ou você pratica muito, muito, muito ou nasce com talento e afinidade para a área.

É importante frisar que, nos parágrafos acima, me refiro às posições que exigem alto grau de trabalho intelectual, entre elas: Devs em geral; Tech leads; Especialistas em UX e processos digitais, banco de dados, Inteligência Artificial, BI e Big Data; Engenheiros e Cientistas da Computação; Arquitetos de Sistemas; Gerentes de Projetos, PO, Scrum Master; Especialistas em LGPD e Segurança de Dados; CTOs. Normalmente são posições que exigem alto grau de raciocínio lógico aliado à capacidade de análise e síntese de informações, conhecimento do setor onde está inserido e a habilidade de se comunicar de forma clara e objetiva.

Das posições abertas na área de TI, "cerca de 60.000 vagas são para programadores e analistas de sistemas das mais diversas tecnologias" afirma Felipe Paiva, um dos fundadores da Let´s Code, empresa que tem como desafio preparar talentos em potencial para atuarem no setor.

Mas o apagão de mão de obra em TI atinge toda a gama de posições citada neste texto. Recentemente um colega me pediu recomendações de um "profissional muito bom em Visão Computacional querendo um trampo". Respondi: "Seria mais fácil ressuscitar o Alan Turing". E essa percepção não é somente minha. Paiva, da Let´s Code, afirmou que "...pessoas capazes de atuar com CTO, Tech Leads ou especialistas estão gotejando no mercado... a torneira é muito pequena para um buraco muito grande".

Se de um lado há uma grande demanda, de outro há a percepção de que existem poucos profissionais realmente qualificados para as posições em aberto.

Plínio Aquino, chefe do departamento de Ciência da Computação do Centro Universitário FEI, afirma que "o nível tecnológico das empresas dependentes de Tecnologias da Informação é tão alto que precisam de caras bons, muito bem formados, e que já cheguem entregando valor. E não de caras letrados em tecnologia.". E essa visão é corroborada pelo empresariado e CTOs que conversei.

As empresas com alta dependência de TI querem o profissional pronto, trazendo resultado em 2 ou 3 meses. O profissional precisa entrar jogando, já absorvendo uma alta carga de informações sobre os processos e o negócio assim que assume a posição, e sair produzindo em pouco tempo.

Mas há um problema de formação na base para os profissionais desta área!

Um ponto é consenso entre todos que eu conversei a respeito: as pessoas precisam ser formadas para resolver problemas e se adaptarem a novas realidades rapidamente, e não simplesmente saírem programando. E o desafio atual é esse: formar pessoas com alto grau de raciocínio lógico, com capacidade de análise e síntese de conceitos e processos, com habilidade de se relacionar e se comunicar de forma clara e objetiva e ainda saber lidar com tomadas de decisão em ambientes de alta pressão.

E nesta direção, apesar de não ser uma exigência, a faculdade é um teste de resistência e afinidade com a área. Tanto que o nível de evasão nos cursos superiores da área está entre os maiores no Brasil, o que prova essa visão.

Isso não significa que para ser um bom profissional na área é necessário um curso superior, mas sim que é mais fácil identificar talentos dentre os que se formam no nível superior do que entre os demais.

Vale salientar também que não são somente as empresas com alta dependência de TI que estão contratando. Empresas com menor dependência também necessitam destes profissionais, em contextos mais simples e menos críticos. E essas empresas podem absorver uma mão de obra menos qualificada, mas isto reflete nos salários ofertados.

Segundo Mikael Malanski, CEO da x-Apps, empresa especializada no desenvolvimento de Aplicativos Móveis: "para ser valorizado, [o profissional] tem que trabalhar em lugares onde a TI é estratégica e tem valor. Empresas que não veem valor em TI não pagam bem e não possibilitam evolução da carreira.".

E como fica essa situação em que o mercado busca profissionais mais bem preparados, mas não parece querer investir em capacitação?

Algumas empresas já acordaram para o valor de investir em capacitação. Segundo Emerson Facunte, Head de TI da Lojas Marisa, "investir em treinamento e capacitação, além de permitir o crescimento profissional do colaborador, ainda aumenta o engajamento do profissional e diminui o turnover na área de TI". E de quebra, ainda amplia as chances de atrair bons profissionais: "O bom profissional de TI vem por indicação de colegas engajados e felizes com o lugar onde trabalham", afirmou Facunte.

Outro exemplo é a formação de 60 Devs em um processo de capacitação solicitado pelas empresas Empíricus e Vitreo, onde a Let?s Code faz toda a triagem e capacitação de talentos conforme as necessidades dos contratantes. Neste caso, houve uma preocupação em valorizar a diversidade do time em um movimento para a formação de pessoas negras, mulheres ou que vivam em situação de vulnerabilidade, o que, no meu ponto de vista, é um grande acerto uma vez que a diversidade enriquece o ambiente corporativo, permite a inclusão social, traz novos pontos de vista e proporciona uma miscigenação de culturas. No entanto, os critérios para seleção dos profissionais não se alteraram. É necessário ter afinidade com a área, demonstrar alta capacidade de raciocínio lógico, análise e síntese entre outros critérios inerentes às posições que serão preenchidas.

Mas a grande maioria das empresas ainda procura profissionais prontos, que cheguem já produzindo. Muitas delas não possuem sequer um plano estratégico para a área de TI, mesmo sabendo que o tempo médio de permanência de um profissional da área é de cerca de um ano e meio. E esta alta taxa de rotatividade ocorre tanto pela insatisfação do empregador quanto do empregado. Como é comum ouvir: o profissional é contratado pelo "hard skill" e sai pelo "soft skill" (dele ou do chefe...).

Há uma forma de resolver essa questão?

A meu ver, não existe uma solução simples e rápida para uma situação complexa como essa. Tanto as empresas, quanto os profissionais da área passarão por momentos difíceis até que comecem a pensar de forma mais estratégica, a médio e longo prazo.

É necessário ter a ciência de que o ponto central não está na capacitação técnica, e sim na preparação de capacidades, habilidades e atitudes que sejam capazes de potencializar o lado técnico. E isso não necessariamente se aprende em um curso de 6 meses ou em uma faculdade de 4 anos. É necessário formar bases ainda na infância e adolescência, pois são pensamentos ligados à forma como enxergamos, analisamos e valorizamos o mundo à nossa volta.

Citando Neo, é "necessário enxergar a Matrix para poder entendê-la". E para isso é preciso SER da área de TI, e não ESTAR na área de TI. Viva e sinta o mundo como uma pessoa de TI e você será um excelente profissional na área.


E você? O que pensa a respeito?

*Artigo produzido por Fernando D`Angelo, colunista do Canaltech.

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