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23 de Abril de 2021
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Profissionais de TI: até 2024 mercado abrirá 70 mil vagas no Brasil; veja onde se formar
Estudo mostra o crescimento de 63% da área esse ano em todo o País e aponta as tendências de crescimento na Bahia



Um levantamento do Banco Nacional de Empresas (BNE) mostrou que, nesses últimos meses, houve um aumento significativo na abertura e vagas e demandas para o profissional de tecnologia da informação (TI). Para se ter uma ideia da ampliação das oportunidades, em 2019, foram abertas 8049 vagas de TI no Brasil, enquanto o mesmo período desse ano as vagas saltaram para 12.682, o equivalente a 63% de aumento de oportunidades.A gestora de inovação e consultora educacional na Casa Mar Tamila Silva pontua que a pandemia inseriu no cotidiano diversos hábitos de trabalho, como o trabalho remoto (à distância, home office etc.) e assíncrono (trabalho não imediato, quando as equipes trabalham em horários diferentes), que são processos que já existiam em baixa escala nas empresas, porém foram acentuados e impulsionados pelo contexto atual.

"É uma das consequências do que chamamos de transformação digital. Para os profissionais de tecnologia, assim como de outras áreas, abre a possibilidade de trabalhar remotamente em qualquer lugar do país, e caso fale outros idiomas, do mundo, o que amplia as possibilidades de contratação, desenvolvimento e de perspectivas de salários em outras moedas", diz Tamila.

Tamila Silva salienta o impacto da pandemia para a aceleração da digitalização e o crescimento da importância dos profissionais da área(Foto: Patrícia Amorim/Divulgação)
Bahia digital

A Consultora de Carreira na LHH, Nyscia Pinheiro, lembra que a Associação das Empresas de TI e TIC(A Brasscom) revelou que até 2024, o mercado de TI precisará incluir cerca de 70 mil profissionais, considerando que quase 50% das oportunidades se concentram em São Paulo.

"Na Bahia, juntamente com Pernambuco, Ceará e Goiás empregam 8,9% no setor de TI. Em Salvador, especificamente, esse número tende a evoluir em função da crescente onda de startups nascidas na capital", diz, destacando que, diante da expectativa de automação do setor de agronegócios, o interior da Bahia terá um impacto positivo em tecnologia. "O IPEA prevê alta do uso de tecnologia na agropecuária, soja e milho considerável, como drones, sensores de campo, software de gestão", pontua.

Para a especialista, a Bahia tem um mercado muito diverso, em função da sua extensão territorial, diferenças regionais, possui um mapa produtivo com muitos setores. "O interior da Bahia, por exemplo, tem uma forte demanda nos setores de comércio e serviços, indústrias de grande e pequeno portes, serviço público e agronegócios", salienta.

Cenários locais

Nyscia lembra que o cenário melhorou especialmente depois que algumas cidades do interior passaram a ser centros universitários, incluindo a educação como um setor que tem alta necessidade de profissionais de TI. "Também o agronegócio tem a cada dia mais se tornado mais automatizado. Grande parte dos setores terceirizam serviços de Tecnologia da Informação ou estão diretamente ligadas as matrizes onde concentram as centrais e gestão da área", completa.

No setor do varejo, os destaques nessa área vão para o e-commerce ou a implantação de marketplace. Além disso, as indústrias para acompanhar as mudanças e passam a implantar com celeridade as soluções tecnológicas para se adaptar ao novo mundo do trabalho e a mudanças no comportamento de consumo. Soluções de inteligência artificial estão presentes em 75% das empresas no Brasil, segundo dados da Everest Group.

"Essa área da tecnologia não será integrada só as grandes empresas, a tendência é que empresas de médio e pequeno portes, no médio prazo, utilizem, com naturalidade ferramentas digitais. Como a Bahia se destaca no comercio e em serviços pode haver uma forte demanda par inclusão na IA", defende a consultora de carreiras.

Na capital baiana, a indústria (Pólo Petroquímico) tem ofertado mais oportunidades pra a área. Em seguida as empresas que terceirizam serviços de TI estão com uma forte demanda, tanto para suporte como para desenvolver ferramentas tecnológicas para empresas de todos os portes. "Um fenômeno importante que aumenta a oferta de oportunidades para os profissionais de Tecnologia, são as startups que já ocupam um bom número em Salvador e geram oportunidades em diversos formatos", completa.

Tamila sugere que os interessados na área busquem nichos de startups baianas, sendo uma excelente possibilidade de contratação. "O All Saints Bay, nome do ecossistema de startups de Salvador possui em seu site, de mesmo nome, uma lista atualizada de oportunidades de trabalho e eventos", sugere.

Formação para o futuro

Em Salvador, o mercado vivencia um forte assédio de empresa para empresa aos profissionais mais qualificados, o que influencia em maiores ganhos, ofertas de benefícios e altas posições na empresa. "Profissionais especializados em projetos de infra estrutura, segurança de dados e suporte técnico, desenvolvimento de sistemas e aplicativos passaram a ter mais alternativas de trabalho em variados formatos e tipos de relacionamento com as organizações, empregos, prestação de serviço temporária e consultoria", esclarece Nyscia.

Ela salienta que apesar dessa abertura profissional, o mercado fez com que os profissionais de TI passassem a conviver com um ambiente de maior pressão e exigências para atender resultados mais ágeis e complexos. "A inteligência emocional, resiliência, agilidade, capacidade de solução de problemas complexos e adaptabilidade às mudanças são fundamentais para lidar com as necessidades que a pandemia gerou e continua gerando", orienta.

Deborah Folloni acredita que a demanda crescente por profissionais na área de TI continue e acredita que apostar na formação é fundamental (Foto: J.Mantovanni/Divulgação)
A CEO da empresa de automação criativa Chiligum, Deborah Folloni acredita que a tendência é que esse hiato entre oferta e demanda de profissionais de tecnologia continue crescendo, até atingir mais de 100.000 posições de déficit em 2024. "Não é um problema simples de resolver. A demanda vai continuar crescendo mas não haverá oferta de mão de obra suficiente para comportá-la", finaliza.

Onde buscar formação?

SENAI CIMATEC
IFBA - Instituito Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia
CEPEP - Escola Técnica
ETEBA - Escola Técnica da Bahia

Além das universidades que são muitas com oferta de cursos de tecnologias, como a Universidade de Salvador, FAEL, Uniruy, Estácio de Sá, Wydem Educação, Universidade Federal, dentre outras.


Confira ações para retenção de talentos que empresas de tecnologia estão tomando:

1. Desenvolvimento pessoal
Na Área Central, especialista em tecnologia para gestão de centrais de negócios, as contratações são realizadas com base na cultura, e depois pelas aptidões compatíveis com a função a ser exercida. "Uma pessoa alinhada com a cultura da empresa vai se desenvolver facilmente dentro do que o nosso negócio propõe", comenta Jonatan da Costa, CEO. Além disso, a empresa está implementando o Plano de Desenvolvimento Pessoal (PDP), com a intenção de dar direcionamentos ao colaborador para sua evolução e jornada dentro da empresa, proporcionar mais conhecimento, desenvolver habilidades e alinhar as expectativas profissionais. Também existe a prática de troca de feedbacks entre líderes e liderados em reuniões 1:1, e uma ferramenta de engajamento para colaboradores ? utilizada para celebrar as conquistas da equipe ou do profissional, registro de humor do funcionário no dia e ranking de engajamento com premiações. A Área Central também promove a participação da equipe em eventos e especializações, para que o colaborador perceba o quanto a empresa se preocupa em evoluí-lo, e inseri-lo cada vez mais no ecossistema de tecnologia. "Nós atuamos com discurso e prática de ?pessoas para pessoas?, e elaboramos ações internas para ter o colaborador motivado ao exercer suas funções e contribuindo no crescimento da empresa", finaliza Jonatan.

2. Comprometimento, integração e segurança
A Winker prioriza que todos seus profissionais sejam tratados com a mesma seriedade e importância. Em março de 2020, antes mesmo do primeiro decreto de lockdown, a empresa migrou 100% dos colaboradores para home office. "Foi um desafio o acompanhamento individual, mas com técnicas de benchmarking conseguimos elaborar nosso modelo de aproximação", explica Nicole Landivar, psicóloga responsável pela área de Gente e Cultura na Winker. Nesse processo, a companhia também providenciou para a equipe as ferramentas necessárias para plena execução do trabalho de casa, como eletrônicos e cadeiras. Após revisar o planejamento de 2020, a Winker comunicou que não haveria desligamentos devido à pandemia e, inclusive, aumentou o quadro de funcionários em 40% durante o ano. Para otimizar a interação do time, são realizadas atividades on-line como gincana virtual, Happy Hour, treinamentos e reuniões mensais com toda a equipe, que podem acompanhar as atividades de cada setor. Outra ação em destaque na empresa é a de encontros quinzenais individuais com a psicóloga para tratar de assuntos livres, incluindo autoconhecimento e enfrentamento da insegurança. "Com esta atividade em prática, foi perceptível uma melhora na autoconfiança", destaca Nicole.

3. Valorização dos colaboradores para oportunidades
No Asaas, fintech que oferece um serviço de assistente digital do empreendedor, uma das principais estratégias para retenção de talentos é a valorização dos colaboradores e atenção ao seu momento atual. "Ele está feliz? Quais são os fatores que limitam seu crescimento hoje? Existe um sonho ou ele ainda está na busca de inspiração para planejar seu futuro? A partir dessas respostas, traçamos um plano para que, mês a mês, ele possa entender a sua evolução", comenta Diego Contezini, Vice-Presidente do Asaas. O acompanhamento acontece por meio de reuniões 1:1 (líder/liderado) quinzenais e encontros periódicos de planejamento profissional. "Quem observa de fora, vê que priorizamos sempre quem é de casa, tanto para lideranças, quanto para movimentos internos. No entanto, essencialmente, não é uma priorização: somente colocamos as pessoas que melhor se encaixam em cada oportunidade", explica Contezini. Para ajudar o colaborador a encontrar seu caminho, a empresa também conta com cursos internos e uma Central de Conhecimento que reúne todo o saber já produzido no Asaas. "Em uma época onde a retenção de talentos é cada vez mais procurada, ajudar o colaborador a encontrar o seu lugar é a melhor forma de fazer com que ele fique em casa", complementa o Vice-Presidente da fintech.

4. Cuide da saúde mental dos colaboradores
Transtornos relacionados à saúde mental de profissionais de diferentes áreas já chamavam a atenção da Organização Mundial de Saúde antes do surgimento da Covid-19. Com as mudanças na rotina de trabalhadores em todo o mundo, devido a pandemia, essa preocupação aumentou, e algumas empresas passaram a olhar com mais atenção para o bem-estar dos funcionários. "Um profissional com a saúde mental em dia tende a estar em melhor equilíbrio com ele e com quem está a sua volta, a ter maior concentração, foco e empenho em atingir os resultados propostos de maneira ágil e precisa", explica Bárbara Daniel Vieira, gestora de Pessoas na Supero Tecnologia. Por precaução, a empresa aumentou os cuidados com os profissionais no mês seguinte ao início do home office, em março do ano passado. "Enviamos uma pesquisa para saber como estavam. Aqueles que sinalizaram não estar bem, receberam, num contato direto, acolhimento, apoio e indicação de terapeuta, quando necessário. Os gestores aumentaram a frequência das reuniões, para não só acompanhar as atividades e entregas, mas também saber como os profissionais estão", relata a gestora de Pessoas.

5. Ofereça benefícios úteis no home office
Colocar o bem-estar das pessoas que trabalham na empresa como prioridade fez a Involves, empresa que desenvolve soluções para gestão de trade marketing, reestruturar o modelo de trabalho e benefícios oferecidos. A Chief People Officer da empresa, Thuany Schutz, explica que, desde o início da pandemia, a Involves adotou o trabalho remoto e adaptou a experiência para a nova realidade. "Quando iniciamos o home office, reorganizamos nossos benefícios e atividades presenciais para o mundo virtual. Além disso, temos conversas periódicas com o time para entender o que faz sentido e o que pode ser alterado", conta Thuany. Com base nas trocas com a equipe e nas tendências de modelo de trabalho aceleradas pela pandemia, a Involves começou o ano com uma nova experiência, focada em mais flexibilidade, liberdade e poder de escolha para as equipes. A empresa adotou o conceito de "trabalhe de onde quiser", em que colaboradores poderão trabalhar de qualquer lugar e utilizar os escritórios quando considerarem necessário em um formato parecido com coworking, em que acontece o agendamento para uso das estações de trabalho. Os benefícios também foram revistos, com adoção de um cartão de benefícios flexível e a criação de um benefício para lazer e bem-estar.

6. Esteja atento às necessidades dos colaboradores
Logo no início da pandemia, a Kyte, startup global que oferece uma plataforma mobile de vendas e gestão para pequenos negócios, deixou seu escritório e adotou um modelo de trabalho totalmente remoto. Já naquele momento, o foco foi se atentar às necessidades dos colaboradores. "Ajudamos os funcionários a criarem um espaço para trabalhar em casa, oferecendo equipamentos, auxílio home office e vale bem-estar", comenta o CEO, Guilherme Hernandez. A startup também flexibilizou os horários de trabalho e implementou novas rotinas de comunicação, inclusive um happy hour online para manter a integração e conversas 1:1 quinzenais para acompanhamento dos colaboradores. Com essa proximidade, a gestão conseguiu perceber que algumas pessoas estavam tendo dificuldades de se concentrar em casa ou precisavam de um lugar mais silencioso para trabalhar. "Vimos essa necessidade de criar alguns espaços de trabalho alternativos e resolvemos fazer parcerias com coworkings nas cidades onde temos mais colaboradores e, em outros casos, oferecer uma verba para isso", explicou o CEO da Kyte. Com essa atenção, a startup não perdeu nenhum colaborador desde que foi criada, há três anos.

7. Acompanhe o time continuamente
Na Pulses, startup que tem soluções de clima organizacional medidos de forma contínua, não é "casa de ferreiro, espeto de pau": a empresa usa a própria plataforma para ouvir frequentemente seus colaboradores, identificar as causas do desengajamento e promover planos de ação para os pontos que precisam de melhoria. "Ouvir o colaborador é um gesto de acolhimento e de preocupação com o que ele tem a dizer. Quando a empresa toma medidas visíveis com base nos resultados das pesquisas, cria-se uma confiança de que os líderes estão se importando e prezando por uma experiência aliada com a cultura. E isto impacta no senso de pertencimento, propósito e engajamento", destaca Michelly Dellecave, CMO da Pulses. O resultado é tangível: a empresa tem um baixo índice de turnover.

8. Ambiente leve, cuidados com a saúde e flexibilização de benefícios
Na Stoque, empresa de soluções tecnológicas focada em automação inteligente e digitalização de processos e documentos, há uma preocupação muito grande com o bem-estar dos colaboradores. A companhia lançou em 2020 um Guia de Cultura para direcionar a jornada de cada pessoa com o propósito de mostrar valor na trajetória profissional e engajar as equipes. "A intenção é que o funcionário entenda que ele tem uma jornada dentro da empresa, construída de forma colaborativa, com autonomia e em um ambiente leve e flexível", explica Gabriel Costa Santos, Gerente de Gente e Cultura. Com a pandemia, a Stoque também investiu nos cuidados em saúde e montou uma equipe própria com médico e psicóloga para orientar e prestar atendimento individualizado. Além disso, como boa parte dos funcionários permanecem em home office, a empresa envia boletins semanais informando se há casos de Covid na empresa e quais ações estão sendo realizadas. "É uma forma de ser transparente em relação a esse tema para que ninguém fique com receio ou não tenha acesso às informações". A empresa também oferece uma série de benefícios, como plano de saúde e odontológico, vale-refeição, orientação psicológica, jurídica e orçamentária online, entre outros, mas que em alguns casos podem ser flexíveis.

Fonte: Correio 24 horas

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