Uma tecnologia de inteligência artificial desenvolvida por pesquisadores ligados à Alibaba vem transformando o diagnóstico do câncer de pâncreas na China ao identificar sinais precoces da doença em exames de rotina.
Em funcionamento desde 2024, a ferramenta tem contribuído diretamente para a detecção antecipada de um dos tipos de câncer mais letais, ajudando a salvar vidas.
Batizada de “detecção de câncer de pâncreas com inteligência artificial”, ou PANDA, na sigla em inglês, a solução foi implementada no Hospital Popular Afiliado da Universidade de Ningbo, no leste do país.
Segundo reportagem do The New York Times publicada nesta sexta-feira (2), o sistema já analisou mais de 180 mil tomografias abdominais ou torácicas realizadas na instituição.
Diagnósticos mais rápidos e precisos
Durante sua utilização em um estudo clínico, o PANDA identificou mais de 20 casos de câncer de pâncreas, sendo 14 deles em estágio inicial. A ferramenta foi capaz de detectar tanto o adenocarcinoma ductal (forma mais comum e agressiva da doença) quanto tumores neuroendócrinos, considerados mais raros e menos letais.
Em todos os casos detectados, os pacientes apresentavam sintomas como inchaço ou náusea, não haviam sido avaliados por especialistas em pâncreas e seus exames não indicavam suspeitas antes dos alertas emitidos pela inteligência artificial.
Um dos fatores centrais para o desempenho da ferramenta é o treinamento realizado com tomografias com contraste de mais de 2 mil pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas, que incluíam o mapeamento preciso da localização das lesões no órgão.
Quando testado em mais de 20 mil tomografias sem contraste, exames nos quais as anormalidades costumam ser menos visíveis, o PANDA conseguiu identificar corretamente 93% dos casos de lesões pancreáticas, de acordo com a reportagem.
Revisão de exames
No hospital chinês, a tecnologia tem sido utilizada principalmente para revisar exames classificados como de alto risco. A partir dos alertas gerados pela IA, médicos podem convocar pacientes para avaliações adicionais e exames mais detalhados, conforme a necessidade.
Apesar dos resultados promissores, especialistas destacam que ainda são necessários mais dados obtidos em situações reais para avaliar se a ferramenta consegue identificar um número suficiente de casos precoces que justifique eventuais riscos de falsos positivos. Tecnologias semelhantes também estão sendo desenvolvidas em outros países.
Segundo a Alibaba, o PANDA recebeu a classificação de “dispositivo inovador” pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos responsável pelas áreas farmacêutica e alimentícia, o que pode facilitar sua futura disponibilização no mercado.
De difícil diagnóstico nos estágios iniciais, o câncer de pâncreas apresenta alta taxa de mortalidade. Entre os sintomas mais comuns estão dor abdominal, perda de apetite e peso, fraqueza, fadiga e coloração amarelada da pele e dos olhos. O tratamento pode envolver cirurgia, quimioterapia e radioterapia.
(Com informações de Tecmundo)
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