Um dos softwares mais relevantes da saúde digital na América Latina nasceu longe dos grandes polos globais de tecnologia. Criado em Santa Catarina, o sistema Tasy ganhou escala internacional, tornou-se parte do portfólio de uma multinacional europeia e, agora, acaba de ser vendido em uma transação avaliada em cerca de R$ 1 bilhão. A mudança de controle evidencia novas estratégias no mercado de tecnologia voltada à gestão hospitalar.
O Tasy foi desenvolvido em Blumenau (SC) pela antiga Wheb Sistemas, com o objetivo de oferecer uma plataforma integrada para prontuários eletrônicos, acompanhamento de pacientes e organização de processos clínicos e administrativos em hospitais. Desde o início, o foco esteve na eficiência da gestão hospitalar.
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Com a consolidação do produto, o sistema passou a ser adotado por instituições de saúde em diversos países da América Latina, alcançando mais de 2 mil hospitais e clínicas. Em 2010, a trajetória do software deu um salto quando a Wheb Sistemas foi adquirida pela Philips, que incorporou o Tasy ao seu conjunto global de soluções em tecnologia médica.
Apesar da ampla adoção regional, o software sempre representou uma parcela pequena do faturamento total da multinacional holandesa, o que levou, ao longo do tempo, a discussões internas sobre a venda do ativo.
Venda bilionária
No fim de 2025, a Philips firmou um acordo para vender o Tasy à Bionexo, empresa especializada em soluções de tecnologia em saúde baseadas em nuvem. O valor da transação foi de 161 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 1 bilhão na cotação atual.
A negociação confirmou especulações que circulavam no mercado desde o ano anterior, período em que a Philips teria contratado assessores financeiros para avaliar a alienação do software. O preço final ficou alinhado à avaliação inicial feita pela companhia.
A operação ainda depende de aprovações regulatórias, mas a expectativa é que seja concluída antes do término do segundo trimestre deste ano.
Em comunicado oficial, a Philips afirmou que a venda está alinhada à sua estratégia de concentrar esforços em soluções de tecnologia de saúde “escaláveis globalmente”. A empresa vem direcionando investimentos para produtos com maior potencial de impacto internacional.
Nesse contexto, o Tasy, embora bem-sucedido na América Latina, não se encaixava completamente nessa diretriz estratégica, o que tornou a venda um movimento natural de reorganização do portfólio. A multinacional também informou que os clientes do sistema não precisam adotar nenhuma medida neste momento e que a continuidade do serviço está garantida.
Expansão da Bionexo
Para a Bionexo, a aquisição representa um avanço significativo na ampliação de sua atuação no setor hospitalar. A empresa já possui presença relevante no Brasil, Argentina, Colômbia e México, além de uma extensa base de clientes na área da saúde.
Com a incorporação do Tasy, a companhia passa a oferecer uma solução completa de prontuário eletrônico e gestão hospitalar, complementando seus serviços em nuvem. A expectativa é fortalecer a presença do sistema na América Latina e explorar sinergias entre as plataformas, com potencial para novas funcionalidades e melhorias na gestão de dados clínicos.
Incertezas em Blumenau
O centro tecnológico da Philips em Blumenau era dedicado majoritariamente ao desenvolvimento do Tasy. Até agora, a empresa não divulgou informações oficiais sobre o futuro da unidade após a conclusão da venda.
A indefinição gera expectativa no mercado regional, já que o município é um polo importante de tecnologia no Sul do país. O que já está definido é que o software criado em Santa Catarina entrou definitivamente para a história como um produto brasileiro que se transformou em um negócio bilionário e inicia uma nova fase na saúde digital latino-americana.
(Com informações de Gizmodo UOL)
(Foto: Reprodução/Freepik)