A rápida evolução da inteligência artificial deixou de ser apenas um meio de inovação e passou a representar instabilidade para o mercado de tecnologia. A forte desvalorização das ações de empresas de software nas últimas semanas reacendeu o debate sobre até que ponto os investidores já compreendem os efeitos da IA.
O cenário de perdas se intensificou no fim de janeiro. O S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas listadas nos Estados Unidos, acumulou seis dias consecutivos de queda de negociação da bolsa, com redução de aproximadamente US$ 830 bilhões em valor de mercado desde o dia 28. Apenas na última semana, o recuo foi de cerca de 13%, com impacto significativo sobre companhias de software como Intuit, ServiceNow, Oracle e Salesforce.
Analistas apontam que o desempenho recente do índice remete a momentos históricos de ruptura tecnológica, como o período posterior ao estouro da bolha da internet no início dos anos 2000. A comparação reforça o receio de que a inteligência artificial represente não apenas mais um ciclo de inovação, mas uma ameaça estrutural aos modelos tradicionais de software.
A pressão sobre o setor ganhou força após o lançamento de uma nova ferramenta de IA voltada a aplicações jurídicas, comerciais, de marketing e análise de dados. O avanço de grandes modelos de linguagem sobre funções hoje dominadas por softwares especializados elevou o medo de que essas empresas percam espaço justamente em um momento de aumento expressivo dos gastos com IA.
Alguns analistas comparam essa estratégia de expansão ao caminho trilhado por grandes companhias que, após consolidarem uma posição forte em uma área específica, avançaram agressivamente para outros mercados. Embora haja dúvida quanto à capacidade da IA de substituir softwares especializados, o ritmo acelerado da inovação tem levado gestores a reduzir a exposição ao setor.
Para especialistas, a reação do mercado pode parecer excessiva no curto prazo, mas o risco é considerado real. O consenso é de que a vantagem competitiva das empresas de software já não é tão sólida quanto no passado, tornando o setor tecnológico mais vulnerável a mudanças estruturais.
Ao mesmo tempo, a instabilidade reflete uma mudança mais ampla no direcionamento dos investimentos. Há uma migração de capital de tecnologia para setores considerados mais defensivos ou com avaliações mais atrativas, como energia, indústria e bens de consumo essenciais.
No geral, investidores acreditam que a instabilidade deva continuar. A inteligência artificial segue transformado o setor de software, enquanto a incerteza sobre quais empresas conseguirão se adaptar e sair fortalecidas neste novo ciclo tecnológico permanece.
(Com informações de Olhar Digital)
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