As principais empresas de tecnologia do mundo viram mais de US$ 1 trilhão – o equivalente a mais de R$ 5 trilhões – evaporar de seu valor de mercado ao longo da última semana. As perdas ocorreram em meio a uma forte pressão vendedora, alimentada por incertezas sobre a capacidade de a inteligência artificial gerar retorno financeiro proporcional aos investimentos anunciados.
Papéis de gigantes como Microsoft, Nvidia, Oracle, Meta, Amazon e Alphabet encerraram a semana em queda, após a divulgação de balanços e projeções que indicam despesas ainda maiores com infraestrutura e desenvolvimento de soluções baseadas em IA.
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Somadas, essas companhias devem aplicar cerca de US$ 660 bilhões na tecnologia apenas neste ano. O montante supera o Produto Interno Bruto de países como Singapura, Israel e Emirados Árabes Unidos e se aproxima do PIB trimestral do Brasil.
A combinação entre aportes expressivos e desempenho financeiro considerado aquém do esperado começou a acender um sinal de alerta entre investidores. No pré-mercado desta sexta-feira (6), as ações da Amazon recuavam 7%. A Alphabet registrava queda de 0,7%, enquanto os papéis da Meta operavam praticamente estáveis. Oracle, Nvidia e Microsoft chegaram a apresentar leves altas, insuficientes para compensar as perdas acumuladas ao longo da semana.
Em entrevista à CNBC, Paul Markham, diretor de investimentos da GAM Investments, afirmou que o segmento de hardware voltado à implementação de inteligência artificial deve continuar sob pressão. Segundo ele, o mercado demonstra crescente desconforto com o volume de capital necessário para sustentar a corrida pela IA e com a incerteza quanto ao retorno dessas apostas.
Resultados mornos
A Amazon concentrou parte das atenções ao anunciar um dos planos de investimento mais ambiciosos do setor. Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a empresa pretende desembolsar US$ 200 bilhões em bens de capital – alta de 56% em relação ao ano anterior e o maior valor entre as big techs.
De acordo com a analista Mamta Valechha, da Quilter Cheviot, a maior fatia desses recursos deve ser direcionada à Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da companhia.
Embora as empresas reiterem confiança no retorno de longo prazo, a falta de visibilidade sobre quando esses investimentos começarão a gerar resultados concretos segue incomodando o mercado – um problema que se estende a praticamente todo o setor.
Apple na contramão
Em contraste com o desempenho das concorrentes, a Apple conseguiu escapar da maré negativa. Alvo frequente de críticas por investir menos em inteligência artificial, a empresa viu suas ações avançarem cerca de 7% desde segunda-feira.
O movimento foi impulsionado por uma demanda considerada “impressionante” pelo iPhone, segundo declarou o CEO Tim Cook. O resultado indica que, ao menos por enquanto, investidores continuam dispostos a valorizar negócios com receitas mais previsíveis, mesmo em meio à volatilidade provocada pela corrida global pela IA.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)