Na sexta-feira (20), o presidente do Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo), Antonio Neto, participou do Podcast dos Comerciários, apresentado pelo presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, para uma conversa sobre o histórico de conquistas dos trabalhadores e as próximas pautas que precisam de atenção nacionalmente do movimento sindical.
Os dois dirigentes atuam juntos nas grandes pautas em defesa dos trabalhadores do Brasil, como o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil – medida que entrou em vigor em janeiro – por meio do Fórum das Centrais Sindicais, que reúne as seis centrais do país.
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Durante a entrevista, Neto destacou que a unidade das centrais sindicais tem sido decisiva para as principais conquistas recentes da classe trabalhadora. Segundo ele, a articulação conjunta preserva a identidade de cada central, mas fortalece as pautas comuns.
“As grandes conquistas da classe trabalhadora sempre vieram com unidade. Cada central leva sua identidade e sua visão para a mesa, mas quando o objetivo é comum – como a valorização do salário mínimo, a igualdade salarial entre homens e mulheres ou a redução da jornada – a unidade nos dá força política para avançar”, disse.
O presidente do Sindpd relembrou que a política de valorização do salário mínimo e outras medidas sociais foram fruto da atuação conjunta do movimento sindical. Ele também enfatizou que a luta atual pelo fim da escala 6×1 dialoga diretamente com a realidade vivida pela população.
“Quando se explicou que 6×1 é trabalhar seis dias e descansar um, a sociedade entendeu. Isso é desumano. Desde 1988 não se reduz a jornada no Brasil. A produtividade cresceu enormemente com a tecnologia, mas o trabalhador não se apropriou desse ganho”, pontuou.
Ao rebater os argumentos de setores empresariais contrários à redução da jornada, Neto classificou como “antiga” a retórica de que direitos trabalhistas inviabilizam empresas.
“É a mesma retórica de sempre. Quando criaram o salário mínimo disseram que era um erro. Quando vieram as férias, diziam que o trabalhador ficaria no ócio. Hoje repetem que reduzir jornada vai quebrar empresas. Não é verdade. É questão de organização do trabalho e de repartir os ganhos de produtividade”, defendeu.
Ele citou como exemplo a modernização do comércio e da indústria, ressaltando que a tecnologia elevou significativamente a produtividade nas últimas décadas.
“De 1988 até hoje, são quase quatro décadas sem redução de jornada. A tecnologia avançou em todos os setores. Quem ficou com esse ganho? Só o patronato. Está na hora de compartilhar.”
Neto também abordou a nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, defendendo que a medida fortalece a economia real ao colocar dinheiro diretamente nas mãos dos trabalhadores.
“Esse dinheiro não vai para aplicação financeira. Vai para o comércio do bairro, para a padaria, para o mercado. Muito dinheiro na mão de poucos é pouco impacto. Pouco dinheiro na mão de muitos movimenta a economia”, argumentou.
Ao final, Antonio Neto reforçou que 2026 é um ano estratégico para consolidar avanços históricos na redução da jornada e no fim da escala 6×1, reafirmando o compromisso das centrais sindicais com a construção de um modelo de desenvolvimento que valorize o trabalho, a dignidade e o compartilhamento dos ganhos de produtividade.
