A queda global do ChatGPT, registrada nesta terça-feira (3), interrompeu simultaneamente o funcionamento de todos os 13 componentes do serviço de inteligência artificial da OpenAI. A empresa confirmou oficialmente a falha, enquanto mais de 25 mil usuários relataram problemas ao Downdetector apenas nos Estados Unidos. O episódio ocorreu poucos dias depois da divulgação de uma violação de segurança envolvendo o provedor de dados Mixpanel, ampliando as preocupações de executivos de tecnologia e cibersegurança sobre a robustez da infraestrutura da companhia.
Na tarde do dia 3, milhões de usuários ao redor do mundo ficaram impossibilitados de acessar o ChatGPT. A plataforma, utilizada semanalmente por cerca de 800 milhões de pessoas, apresentou falhas generalizadas e simultâneas. Para gestores de TI e especialistas em segurança digital, o evento foi mais do que um transtorno operacional: serviu como um alerta claro sobre a crescente exposição a riscos em ambientes baseados em inteligência artificial.
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Os primeiros sinais de instabilidade surgiram por volta das 17h, no horário de Brasília. Usuários começaram a visualizar a mensagem de erro: “Hmm… something seems to have gone wrong”. Em poucos minutos, os registros de reclamações cresceram rapidamente no Downdetector.
No Brasil, mais de 1.700 notificações foram contabilizadas até as 17h21. Nos Estados Unidos, quase 13 mil usuários reportaram falhas no mesmo período, com atualizações posteriores indicando que o total ultrapassou a marca de 25 mil reclamações.
Os dados brasileiros mostraram que 90% dos relatos estavam relacionados ao ChatGPT principal, enquanto 6% envolviam o aplicativo móvel e 4% o site. Relatórios simultâneos no Reino Unido, nos Estados Unidos e em outros países confirmaram que a falha teve alcance mundial, descartando a hipótese de um problema regional.
Impacto sistêmico
A OpenAI reconheceu rapidamente a instabilidade em sua página oficial de status, informando “taxas de erro elevadas para usuários do ChatGPT” e afirmando que suas equipes trabalhavam para normalizar o serviço. O ponto mais sensível foi a constatação de que todos os 13 componentes da plataforma foram sinalizados como estando em “desempenho degradado” ao mesmo tempo.
Na prática, isso significou a paralisação coordenada de recursos como conversas, busca, geração de imagens, Codex e outras funcionalidades essenciais, sem alternativas imediatas de contingência para os usuários.
O apagão não ocorreu de forma isolada. Dias antes, a OpenAI havia comunicado uma violação de segurança em um de seus principais fornecedores de análise de dados, o Mixpanel. De acordo com a empresa, um invasor conseguiu exportar “um conjunto de dados contendo informações identificáveis limitadas de clientes e informações analíticas”.
Embora não exista confirmação oficial de que os dois episódios estejam relacionados, a proximidade entre eles chama a atenção de profissionais de cibersegurança.
A OpenAI, avaliada em cerca de US$ 157 bilhões, fornece soluções integradas a processos críticos de inúmeras organizações, o que amplia o impacto potencial de qualquer falha em larga escala.
Outro fator entrou no radar horas antes da queda. Na véspera do incidente, a OpenAI lançou o aplicativo Codex para Mac, que teve adesão imediata. Segundo o CEO Sam Altman, o software superou 200 mil downloads no primeiro dia.
A empresa não associou oficialmente o lançamento à instabilidade, mas o volume repentino de acessos pode ter intensificado a carga sobre servidores já operando próximos do limite. Para especialistas em arquitetura de sistemas, o episódio levanta questionamentos sobre como a OpenAI planeja e dimensiona sua capacidade diante de lançamentos com demanda difícil de prever.
A interrupção global do ChatGPT evidencia um cenário que muitos líderes de tecnologia já consideravam, mas que ainda não havia sido testado dessa forma: a dependência crescente de serviços de IA em nuvem cria um novo tipo de risco operacional.
Com aproximadamente um em cada dez habitantes do planeta utilizando a ferramenta semanalmente, o ChatGPT deixou de ser apenas um apoio e passou a integrar o núcleo operacional de empresas, escolas e equipes técnicas. A falha simultânea de todos os componentes do serviço resultou na paralisação imediata de fluxos de trabalho, sem opções rápidas de substituição.
Para CISOs e diretores de TI, fica claro que estratégias de adoção de inteligência artificial precisam incluir planos de continuidade que considerem a indisponibilidade total do fornecedor. A confiabilidade de plataformas como o ChatGPT não pode ser tratada como garantida, independentemente do valor de mercado da empresa responsável.
(Com informações de It Show)
(Foto: Reprodução/Freepik)