A Alphabet, controladora do Google, e a Apple estão integrando recursos de inteligência artificial generativa voltados à música em seus principais aplicativos de consumo. A iniciativa evidencia a consolidação dessas ferramentas no uso cotidiano e intensifica a competição com plataformas de streaming.
O assistente de IA Gemini passou a permitir a criação de trechos musicais de até 30 segundos a partir de comandos em texto, além de fotos ou vídeos enviados pelos usuários. A funcionalidade utiliza o modelo Lyria 3, desenvolvido pela Google DeepMind, conforme comunicado publicado pela empresa em seu blog nesta quarta-feira (18).
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Segundo o Google, o recurso poderá gerar composições com letras personalizadas ou apenas instrumentais. Inicialmente disponível na versão desktop do Gemini, a novidade chegará ao aplicativo móvel nos próximos dias e será liberada para usuários maiores de 18 anos em diversos idiomas.
O modelo de criação de imagens Nano Banana também passará a produzir capas personalizadas para as músicas geradas, agregando um componente visual ao compartilhamento dos links das faixas.
A inclusão de ferramentas de áudio no aplicativo móvel pode reforçar a estratégia do Google no segmento de consumo, em meio à disputa com o ChatGPT, da OpenAI, pela preferência dos usuários.
O modelo Gemini 3, lançado em novembro, foi bem recebido por investidores e pelo público. O desempenho levou o CEO da OpenAI, Sam Altman, a declarar um “código vermelho” para acelerar melhorias no ChatGPT.
Em paralelo, a Apple anunciou que usuários poderão recorrer à IA para montar playlists no Apple Music. A ferramenta, chamada Playlist Playground, utiliza o sistema Apple Intelligence para transformar comandos de texto em listas personalizadas com 25 músicas, além de gerar arte de capa e descrição.
O recurso integra o iOS 26.4, disponibilizado em versão beta nesta semana, e deve ser lançado de forma mais ampla na primavera do hemisfério norte. A funcionalidade concorre diretamente com soluções semelhantes oferecidas pela Spotify.
Após a divulgação das novidades do Google, as ações do Spotify chegaram a devolver ganhos acumulados no dia. Os papéis da Sirius XM também registraram queda.
“Não esperamos que isso seja decisivo contra o Spotify”, escreveram analistas da Bloomberg Intelligence em nota na quarta-feira. “Ainda assim, acreditamos que esses movimentos podem forçar o Spotify a lançar em breve um recurso de mixagem com IA.”
A Apple, considerada atrasada na corrida por soluções de IA, vem ampliando a presença da tecnologia em seus aplicativos e dispositivos, inclusive no pacote Creator Studio. No entanto, atualizações aguardadas para a assistente virtual Siri podem sofrer adiamentos após terem sido anunciadas inicialmente em 2024.
O Google, por sua vez, busca demonstrar ao mercado que seus investimentos em IA podem se converter em receitas. A ferramenta de criação musical seguirá modelo semelhante ao de imagens do Gemini: usuários do plano gratuito poderão gerar até 10 faixas por dia, enquanto assinantes terão direito a volumes entre 20 e 100 criações diárias, conforme o nível contratado.
De acordo com a empresa, os usuários poderão utilizar as músicas produzidas. O sistema também contará com filtros para evitar violações de direitos autorais ou de privacidade, ao comparar os resultados com conteúdos já existentes.
A expansão de soluções de IA generativa tem sido recebida com cautela – e, em alguns casos, resistência – pela indústria musical, que enxerga riscos ao modelo de negócios e à proteção da propriedade intelectual.
Em 2024, Universal Music, Warner Music e Sony Music Entertainment moveram ações judiciais contra as startups Suno AI e Uncharted Labs, desenvolvedora do Udio AI, por suposta violação de direitos autorais. Posteriormente, a Warner Music firmou acordo com a Suno, enquanto a própria Warner e a Universal chegaram a entendimentos com o Udio para manter o aplicativo ativo mediante licenças e controles adequados.
No comunicado, o Google afirmou que adota salvaguardas que impedem a IA de reproduzir obras de artistas específicos. Caso o usuário cite músicos reais, o Gemini utilizará o pedido apenas como “inspiração criativa ampla e criará uma faixa que compartilhe estilo ou clima semelhantes”, informou a empresa.
“Nosso treinamento para o Lyria 3 foi projetado para usar músicas que o YouTube e o Google têm direito de utilizar sob nossos termos de serviço, acordos com parceiros e a legislação aplicável”, afirmou um porta-voz da empresa.
(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Freepik)
