Avalara Brasil – Em um ambiente corporativo cada vez mais acelerado e marcado por múltiplas demandas, discutir saúde mental, sobrecarga de tarefas e equilíbrio emocional torna-se fundamental para a qualidade de vida das trabalhadoras.
Com esse objetivo, o Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo) promoveu uma roda de conversa com dezenas de trabalhadoras da Avalara Brasil, conduzida pela psicanalista e pedagoga Maria Auxiliadora Camargo e pela diretora sindical Isabella Tsai Kawase.
A atividade fez parte da Maratona Tech Por Elas, que visa promover ambientes de trabalho mais saudáveis, inclusivos e com maior igualdade de gênero no setor de tecnologia da informação. Maria Auxiliadora iniciou a conversa abordando os efeitos da sobrecarga na rotina profissional.
Segundo ela, um dos principais sinais de alerta está no acúmulo constante de tarefas e no desgaste emocional que isso provoca. “O maior resultado é o acúmulo de tarefas, o estado de cansaço e o estresse. O estresse é o aumento do cortisol, que é o hormônio que regula nosso sistema nervoso”, explicou.
Sobrecarga e expectativas
Durante a palestra, a especialista ressaltou que a sobrecarga de responsabilidades pode afetar diretamente o desempenho profissional e a relação do trabalhador com a empresa.
“A sobrecarga interfere na minha posição como funcionário ou colaborador dentro da empresa”, afirmou. Segundo ela, muitas vezes esse cenário é agravado por expectativas irreais impostas no ambiente de trabalho ou até mesmo pelo próprio profissional. “Precisamos parar de querer atender expectativas das quais não podemos dar conta”.
Outro ponto destacado foi o impacto direto dessa pressão constante na saúde mental. “Afeta a saúde mental e gera muita ansiedade. Quando não é bem administrado, pode levar até mesmo à depressão”, alertou.
A especialista também explicou que, em muitos casos, os trabalhadores evitam falar sobre o tema por receio de serem julgados. “As pessoas não falam sobre isso porque têm medo de serem vistas como incapazes. Em um ambiente acolhedor e tranquilo, a pessoa consegue falar de si e se posicionar”.
Sono e sinais de alerta
Entre os fatores que contribuem para o aumento do estresse, Maria Auxiliadora destacou a falta de descanso adequado. “A falta do sono gera um estresse absurdo”, pontuou, lembrando que o cansaço acumulado compromete tanto o bem-estar quanto a produtividade.
Ela explicou ainda que o estresse pode evoluir para quadros mais graves quando passa a interferir na capacidade de realizar atividades do dia a dia. “Quando o estresse começa a tirar a gente da atividade produtiva e transtornar nossa vida, entramos no estresse crônico. Quando está envolvido com questões de trabalho, chamamos de burnout.”
Burnout
Na sequência da atividade, a Isabella Tsai Kawase, assumiu a condução da palestra e aprofundou a discussão sobre um dos temas centrais do encontro: o burnout e seus impactos no ambiente de trabalho.
Ela explicou que o burnout é classificado como uma síndrome ocupacional resultante do estresse crônico no trabalho, podendo afetar tanto a saúde das pessoas quanto o funcionamento das organizações. Entre os impactos estão a queda de produtividade, dificuldades de concentração, esgotamento emocional e o comprometimento das relações profissionais.
Isabella também destacou a importância de identificar sinais precoces da síndrome, tanto no nível individual quanto dentro das equipes. Para isso, apontou algumas práticas fundamentais, como a autoavaliação honesta sobre o próprio estado emocional, a observação do comportamento da equipe e, principalmente, a construção de um ambiente de diálogo aberto, que permita que os trabalhadores falem sobre suas dificuldades sem medo de julgamento.
Roda de conversa
Após a exposição, foi proposta uma roda de conversa, abrindo espaço para que as participantes compartilhassem suas percepções sobre os desafios enfrentados no dia a dia do setor de tecnologia.
Uma das trabalhadoras destacou o impacto das constantes transformações tecnológicas na rotina profissional. “Sendo uma empresa de tecnologia, ficar atenta a todas as inovações que estão acontecendo traz uma carga mental”, comentou Solange, participante do encontro.
Isabella refletiu ainda sobre o tema e ressaltou que lidar com mudanças constantes exige adaptação emocional. Segundo ela, o ritmo acelerado de atualizações pode gerar ansiedade, especialmente quando as pessoas sentem a necessidade de estar sempre antecipando o futuro.
“Lidar com mudanças e atualizações não é simples. Muitas vezes precisamos mudar uma ideia que consolidamos ao longo do tempo. Para trazer mais tranquilidade, é importante analisar se vale a pena ficar apenas antenado no futuro ou colocar um pouco do pé no presente. Viva o momento com presença, tranquilidade, e deixe de ter tanta aflição pelo momento futuro”, afirmou.
Techday 2026
Encerrando a programação, no dia 28 de março, o Sindpd realizará o Techday 2026, um evento presencial dedicado às mulheres, com palestrantes renomadas e painéis sobre temas estratégicos para o setor de TI e o empoderamento feminino. O local do evento será no Hotel Wyndham Garden, localizado na região de Santana, às 9h. A programação completa será divulgada em breve. (Saiba tudo sobre o Techday aqui!)
O evento é totalmente gratuito, exclusivo para sócias e contribuintes do Sindpd e para as trabalhadoras que participarem das atividades da Maratona Tech Por Elas. As participantes ainda terão direito a café da manhã e almoço, totalmente custados pelo Sindpd. Acesse aqui nosso formulário de inscrição e garanta já sua vaga!
Ao final do encontro, haverá sorteio de prêmios e brindes para as participantes que tiverem realizado cadastro prévio durante as atividades da maratona.
Dúvidas, sugestões e outras informações podem ser encaminhadas pelo nosso WhatsApp: (11) 3823-5600.
