Notícias
Notícias
WhatsApp
05 de Julho de 2022
Tamanho da letra Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir
Déficit de profissionais de TI deve chegar a quase 800 mil em 2025
A Brasscom, por exemplo, estima que o déficit de profissionais de TI deve chegar a 797 mil até 2025. A justificativa mais aceita é a de que o ritmo de formação não acompanha a crescente demanda do mercado, ou seja, faltam cursos de qualificação e graduações.



Com a transformação digital batendo à porta, a forma de consumir e existir mudou. O esforço de empresas para se adaptar a essa nova realidade mostra parte dos bastidores da saga em busca de mais agilidade e eficiência. É uma jornada que incluiu, vez ou outra, a caça por funcionários qualificados. Nessa leva estão os profissionais de tecnologia, possivelmente os mais cobiçados pelo mercado atualmente.

Embora sejam disputados pelas empresas há pelo menos quatro décadas, diante da iminência dos primeiros aparelhos "digitais" nos escritórios ? como faxes e os antepassados dos computadores ? , os profissionais de tecnologia como desenvolvedores, engenheiros de software e cientistas de dados ganharam um novo protagonismo no mercado de trabalho. Isso acontece em função da pandemia e da maratona do ecossistema empresarial brasileiro em favor da inovação.

Segundo uma pesquisa da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), os empregos no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação, que a associação chama de TIC, cresceram 14,4% no ano passado. A média é mais do que o dobro do registrado nacionalmente quando se trata de outras áreas.

Na mesma toada, um levantamento da plataforma online de vagas Catho mostra que, no primeiro semestre de 2021, o número de posições para a área de tecnologia foi 17,9% superior ao mesmo período de 2020. O cenário, no entanto, não desperta o otimismo de especialistas. Afinal, a conclusão é de que não há gente para todas essas vagas.

A Brasscom, por exemplo, estima que o déficit de profissionais de TI deve chegar a 797 mil até 2025. A justificativa mais aceita é a de que o ritmo de formação não acompanha a crescente demanda do mercado, ou seja, faltam cursos de qualificação e graduações.

A saga das gigantes

Os dados podem evidenciar uma corrida por uma mão de obra primorosa e rara. O desequilíbrio entre oferta e demanda em tecnologia tem obrigado empresas a batalhar pelos poucos profissionais disponíveis. E uma das maneiras para isso é por meio da remuneração.

Dados de uma pesquisa do portal de notícias internacionais Business Insider mostram que grandes companhias de tecnologia, como Google e Amazon, aumentaram contratações e salários durante a pandemia, especialmente para a área de tecnologia. No Google, por exemplo, engenheiros de software podem ganhar até US$ 650 mil por ano. Já na Amazon, cargos relacionados ao desenvolvimento de serviços na nuvem (cloud) têm média salarial anual de US$ 185 mil.

Acompanhar o ritmo de crescimento acelerado é um desafio para as companhias líderes em tecnologia também no Brasil. Em expansão na América Latina há alguns anos, o Google aproveita o bom momento no mercado brasileiro para elevar as intenções de contratação em tecnologia no país. Recentemente, a companhia firmou o compromisso de contratar, até 2023, pelo menos 200 engenheiros. Por lá, domina a visão de que além da missão social com tal compromisso, o gargalo de profissionais pode, em grande medida, atrapalhar os planos de crescimento da empresa.

Ao que tudo indica, a área de tecnologia, vai continuar ditando os rumos do mercado de trabalho neste ano. Uma pesquisa feita pelo grupo de consultorias empresariais PageGroup indica que cargos ligados a áreas como inovação, transformação digital, e-commerce e desenvolvimento continuarão em alta.

Solução de longo prazo

Apesar das incursões na área de educação, as empresas só podem garantir uma solução de longo prazo ao entender que há um papel social por trás do desejo por novos talentos. Na visão de especialistas de consultorias dedicadas a recursos humanos como PageGroup, Accenture e Robert Half, é preciso avaliar os investimentos das empresas em programas de formação e capacitação tecnológica como uma ação também benéfica para o cenário de empregabilidade do país.

Sem dar o passo maior do que a perna, empresas não podem, contudo, assumir total responsabilidade pela transformação do cenário de déficit profissional na área. Há um consenso entre especialistas de que é necessária a criação de novas formações, cursos de graduação e extensão em tecnologia, além de investimento público para o amadurecimento do mercado, das empresas contratantes e, é claro, dos milhares de candidatos às vagas de ouro.

Compartilhe

WhatsApp
LEIA TAMBÉM