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27 de Maio de 2021
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O que é Deep Tech e como ela pode fazer a América Latina "peitar" big techs


O frisson em torno das big techs passou e há cada vez mais pressão para que elas revejam posturas e monopólios, mas ainda é difícil imaginar um mundo sem essas empresas trilhardárias. Para romper esse novo modelo de negócio, que direciona riquezas apenas para os países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos, e acumula poder nas mãos de quem já dita as regras do jogo, começa a surgir o conceito da "deep tech" nas organizações.

Quem explica esse novo caminho estratégico é o arquiteto digital Igor Couto, um dos autores do livro "Deep Tech and the Amplified Organisation" (ou Tecnologia Profunda e a Organização Amplificada). Além dele, Simon Robinson e Maria Moraes Robinson também assinam a publicação, que deve ser lançada daqui a dois meses aqui no Brasil.

Segundo Couto, a deep tech é uma tentativa de combater uma dominação global que reforça desigualdades, usando os avanços tecnológicos e as descobertas científicas.

O executivo, que é CEO da 1STi, especializada nesse tipo de consultoria, lembra que 90% das plataformas digitais estão nos Estados Unidos e na China. O restante está na Europa e 1% está diluído entre América Latina e África. "A própria ONU [Organização das Nações Unidas], nos relatórios estratégicos de economia digital, diz que o futuro não pode ser só para alguns e que isso é um novo tipo de dominação global", diz. "Quem controla a cadeia de valor de dados, controla a cadeia de valor produtiva."

Para ele, América Latina e África precisam ser inseridas nessa nova economia digital, mas sem precisar seguir essa lógica "da exploração de muitos para o benefício de poucos".

Na conversa abaixo, Igor Couto explicou como mudar o jeito de pensar os negócios de tecnologia e trazer discussões mais atuais, sobre meio ambiente, melhores condições de trabalho e privacidade.

Tilt: Como você explica a "deep tech" e como ela se contrapões ao modelo atual seguido pelas empresas de tecnologia?

Igor Couto: É um modelo de evolução, algo que a gente espera, não um modelo alternativo. Não se trata de destruir as gigantes de tecnologia. Elas são uma explosão de acesso digital e ausência de um modelo orientado aos desafios econômicos e sociais. Não havia tanto essa preocupação.

Para os europeus, a "deep tech" é o desenvolvimento tecnológico com engenharias difíceis de reproduzir e focadas em grandes avanços, como a nanotecnologia, computação quântica e fotônica, por exemplo. Para nós, latino-americanos, é uma continuidade do conceito de tecnologia avançada, orientada por valores humanos fundamentais e ecossistemas de negócios conscientes com os desafios do planeta e da sociedade, que atuem de maneira positiva não só economicamente, mas social e ambientalmente.

Ao invés de só olhar o seu modelo de negócio do ponto de vista mercadológico, você vai olhar os desafios associados à desigualdade, ao meio ambiente, à cultura. A visão de futuro da empresa se conecta aos desafios planetários e à visão de futuro.

Tilt: O que as empresas da América Latina precisam?

IG: Todo mundo quer crescimento econômico, mas, se você não conecta isso a um motor de impacto social positivo, você degenera o ambiente de negócio no longo prazo.

A expectativa de vida das empresas só cai. Já foi de 50 anos, hoje é de 18 anos. As empresas vivem num eterno ambiente de disrupção, com medo de alguém torná-las obsoletas. Isso é um sinal de que elas estão completamente desconectadas de uma razão de existir.

Hoje, a gente monitora o que está acontecendo no mercado, detecta mudanças de comportamento e aproveita essas oportunidades para desenhar inovações. É a chamada inovação orientada pelo mercado. O livro oferece o que chamamos de Life Oriented Innovation (Inovação Orientada pela Vida, em tradução livre).

Tilt: O que a gente pode esperar dos negócios de tecnologia no futuro?

IG: Quando aparecer uma empresa com um discurso autêntico, muito diferente do das big techs, vai ser natural essa migração [para um novo modelo], porque hoje elas ainda são muito orientadas ao produto. O que a gente precisa é ter startups e grandes empresas que se unam filosófica e politicamente para participar disso [que a deep tech propõe].

A sociedade moderna já é refém e dependente da tecnologia. Esse desenvolvimento tecnológico anda rápido demais e na direção errada, porque somos refém daquilo que a gente não compreende. O que a "deep tech" provoca é o seguinte: não são consumidores, são pessoas. O consumismo é danoso. Se a gente quer ampliar visões de mundo, precisamos educar, treinar, ter maestria nas coisas e deixar esse papel passivo de consumidor.

As organizações que ajudarem as pessoas nisso vão criar relações muito profundas com o mercado.

Tilt: Como você faz isso na prática?

IG: O universo foi nos [a consultoria 1STi] levando para saúde, educação e impacto social. Na área da saúde, trabalhamos com o Hospital Sírio-Libanês aqui no Brasil, envolvidos diretamente no combate a covid-19, não somente em fazer uma solução de telemedicina em sete dias, mas organizar a cadeia de vacinação deles em quatro dias. É um super case de colaboração com "deep tech".

Mas o [movimento de formação da força de trabalho para a Indústria 4.0] Vai na Web é o "deep tech" na veia. Ensina tecnologia avançada em território de conflito armado [no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro], se tornou orgulho de uma comunidade inteira e é sinônimo de paz. Foi eleito uma das cinco maiores iniciativas de impacto para o equilíbrio de gênero do mundo. O Vai na Web mostra o futuro emergente e que precisamos realmente agir.

Tilt: Quando o livro chega ao Brasil? Você já pode contar do que ele trata?

IG: O objetivo do livro é a disputa de narrativas. No mercado da tecnologia, existe aquela coisa de mudar de nome e não mudar nada.Queremos outra coisa: falar de valores humanos fundamentais, estratégia de negócios, economia digital, desigualdade. O segundo objetivo é político: a América Latina, a África e o Hemisfério Sul precisam participar e dizer "isso aqui é uma visão de mais igualdade".

Vamos lançar primeiro na Inglaterra, porque os outros dois autores já têm uma editora por lá, depois ele será traduzido para o português. Vamos usar o GPT3 (inteligência artificial de aprendizado profundo capaz de produzir texto semelhante ao humano) para referenciar partes do livro.

Cada capítulo, além da nossa escrita, vai ter o que a inteligência artificial entendeu daquela parte e uma visão de matemática de rede.




Fonte: Mirthyani Bezerra - Colaboração para Tilt (UOL)

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