O primeiro painel do Techday do Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo), intitulado “Como o setor de TI pode ser mais inclusivo?”, trouxe reflexões e propostas sobre diversidade e inclusão na área de tecnologia. O debate foi mediado da psicanalista e pedagoga Maria Auxiliadora Camargo e contou com a participação de três profissionais de destaque do setor: Claudia Forgas, Cynthia Zanoni e Rita Hayashi.
Abrir caminhos
Head de Marketing da T-Systems do Brasil, Claudia Forgas destacou a importância da resiliência para conquistar espaço em um setor ainda predominantemente masculino, e que é preciso que as mulheres abram as portas quando e onde conseguirem.

“Nunca foi sorte, foi persistir, querer ser algo mais, de acreditar que você é capaz”, disse.
No seu caso, ela contou que desde o primeiro emprego, aos 16 anos, ela pedia para participar de reuniões da diretoria e pensava em formas que poderia ajudar, mesmo sendo novata. Na época, ela se ofereceu para criar apresentações de powerpoint – uma novidade naquele tempo – para o chefe, que passaram a chamar a atenção de outros colegas.
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Com mais de 30 anos de experiência no mercado, Claudia afirmou que a presença feminina no setor deve ser fortalecida por meio de oportunidades e incentivos, desde a formação acadêmica até cargos de liderança. Ela ressaltou ainda a importância de buscar ajuda interna, destacando que as mulheres precisam se unir e se abrir para fortalecer umas às outras. “Acreditar em você mesma é essencial”, acrescentou.
Capacitação
Cynthia Zanoni, consultora de nuvem na Microsoft e fundadora da iniciativa WoMakersCode, ressaltou a importância da independência financeira para a emancipação das mulheres. “A partir do momento que a mulher consegue desenvolver a sua independência financeira, ter segurança financeira, essa mulher automaticamente é dona de si”, declarou.

Inspirada por esse propósito, ela criou a WoMakersCode, que atua na capacitação e empregabilidade de mulheres no setor, demonstrando o impacto positivo de iniciativas que promovem a inclusão feminina no mercado de tecnologia.
“A tecnologia é bastante desafiadora, tem um potencial gigantesco, a IA cada vez mais presente, mas nenhuma IA, nenhum algoritmo vai conseguir vencer o potencial humano”, disse.
Ela reforçou a importância da diversidade para o fortalecimento do setor. “Somos plurais, e a gente precisa fazer com que todas as estruturas que nós estamos sejam também plurais e diversas para que de fato a gente consiga dizer que realmente o empoderamento feminino está acontecendo.”
Inclusão além do gênero
Rita Hayashi, diretora de Recursos Humanos da Marketdata, trouxe para o debate a necessidade de ampliar a acessibilidade no setor para além da questão de gênero. Como mãe de um filho autista, ela destacou a importância de iniciativas que tornem o ambiente de trabalho mais receptivo também a pessoas neurodivergentes ou com deficiências ocultas.

Ela apontou que o esforço pela inclusão pode ser benéfico para a própria empresa, uma vez que esses funcionários podem se tornar profissionais de destaque se tiverem as condições apropriadas de trabalho.
“Quanto mais poder levar para perto, menos diferente será”, afirmou, enfatizando que a inclusão precisa ser vista como um processo contínuo e coletivo dentro das empresas. Segundo ela, transformar o ambiente corporativo em um espaço verdadeiramente inclusivo é uma tarefa que exige o esforço de todos.
Reflexões
O painel demonstrou que a inclusão na tecnologia não se limita apenas à presença feminina, mas também à criação de espaços acessíveis para diferentes perfis e necessidades. O debate reforçou a importância da conscientização e do compromisso das empresas para que a diversidade seja uma realidade e não apenas um discurso.
A troca de experiências entre as participantes e o público demonstrou que, embora haja desafios, iniciativas como a WoMakersCode, programas de mentoria e políticas de inclusão já representam passos em direção à transformação do setor de TI.
O Techday foi realizado em 29 de março pelo Sindpd como encerramento da Maratona 8 de Março, que promoveu dezenas de palestras durante todo o mês das mulheres em parceria com empresas de TI de São Paulo, sobre temas relacionados à mulher, reunindo mais de mil profissionais do setor.
O evento final contou com três painéis em que profissionais renomadas do setor debateram os desafios das mulheres na TI.
(Fotos: Divulgação/Sindpd)