Pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute, nos Estados Unidos, desenvolveram uma técnica inusitada para criar tecido cardíaco humano em laboratório: utilizar folhas de espinafre como estrutura base. O estudo, publicado em 2017 na revista científica Biomaterials, voltou a ganhar destaque nos últimos anos pelo potencial inovador da descoberta.
A proposta surgiu a partir da semelhança entre a rede de veias do espinafre e o sistema de vasos sanguíneos do coração humano. A planta possui uma estrutura altamente ramificada, algo que a tecnologia ainda encontra dificuldade para reproduzir artificialmente.
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No experimento, todas as células vegetais da folha foram removidas, restando apenas um “esqueleto” de celulose. Essa estrutura oca e resistente manteve intacta a rede de canais capaz de transportar líquidos, característica essencial para simular a circulação sanguínea.
Sobre essa base vegetal, os cientistas inseriram células do músculo cardíaco humano. Em poucos dias, o material passou a apresentar comportamento semelhante ao de um tecido vivo, com contrações espontâneas observadas em microscópio, indicando atividade funcional.
Para avaliar a eficiência do sistema, fluidos semelhantes ao sangue foram injetados nas veias da folha. O líquido percorreu as ramificações de forma contínua, demonstrando a viabilidade da estrutura como suporte para tecidos humanos.
Apesar de ainda não haver aplicação direta em pacientes, a pesquisa aponta caminhos promissores para o desenvolvimento de tecidos destinados ao tratamento de infartos, malformações cardíacas e, no futuro, à redução da dependência por transplantes. Outros tipos de vegetais também estão sendo testados, reforçando a ideia de que soluções inovadoras podem surgir a partir de elementos simples e cotidianos.
(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Freepik)