Reajuste para TI em SP – As negociações para a próxima Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria de TI em São Paulo seguiram travadas nesta quinta-feira (29), durante a 3ª rodada de negociação entre representantes do Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo) e do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo (Seprosp) no âmbito da Campanha Salaria 2026.
Os patrões insistem em oferecer um reajuste incompatível com o crescimento do setor nos últimos anos, especialmente em 2025, fixando a proposta em 4%, valor que foi prontamente rejeitado pelo Sindpd. Nos pisos salariais, a proposta foi basicamente a mesma feita na 2ª rodada de negociação, com pequenos arredondamentos (variando entre 6,05% e 6,38%), novamente oferecendo valores que estão aquém do que a categoria espera.
No Auxílio-Refeição, as divergências também ainda são grandes. O setor patronal aceitou o pagamento expresso do valor 22 dias por mês, 12 meses por ano, garantindo o pagamento do VR nas férias já em 2026, mas reduziu a proposta para R$ 31, um aumento de 3,3%, valor inferior ao próprio INPC acumulado de 2025, que foi de 3,9%. E R$32,50 para 2027.
“Realizamos um estudo profundo sobre o setor para fechar e aprovar essa pauta, e o que percebo nesta mesa é que vocês só querem retirar coisas dos trabalhadores, não querem conceder, avançar em nada. Dessa forma, não temos como aceitar qualquer acordo”, disse o presidente do Sindpd, Antonio Neto, durante a Mesa.
O presidente do Sindpd lembrou ao sindicato patronal de que foram justamente discussões acerca do VR que levaram a categoria a realizar uma greve em 2011 e que diante do cenário de intransigência dos patrões, o sindicato estuda entrar com uma ação declaratória na Justiça do Trabalho requerendo o pagamento do VR nas férias e demais afastamentos de forma retroativa aos últimos 5 anos, para toda a categoria.
Apesar do recuo dos patrões ao aceitarem a inclusão de cláusulas relacionadas ao Mês da Mulher e de proteção ao Meio-Ambiente, as empresas querem desindexar o valor dos Auxílios Creche e para Filhos com Deficiência do salário normativo da categoria, propondo valor abaixo do esperado – R$ 704 de Auxílio-Creche para até dois anos e R$ 616 para filhos até 6 anos e R$ 880 para Filhos com Deficiência. As duas propostas foram rejeitadas pelo Sindpd.
A intransigência também se mantém em temas como o Day Off de aniversário e o fim da escala 6×1, com o setor patronal se recusando a incluí-las na convenção, assim como em cláusulas que tratam de fusões, de demissões em massa e da criação de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para a categoria de TI em São Paulo.
Nas licenças parentais, quase nenhum avanço também. Os patrões não aceitam aumentar a licença-maternidade para 180 dias e propuseram uma licença-paternidade de 10 dias úteis tanto em 2026 quanto em 2027, proposta que também foi rejeitado pela representação dos trabalhadores.
“Mesmo diante do crescimento do setor, que as suas próprias pesquisas demonstram, as empresas se recusam a dividir esses ganhos com os grandes responsáveis por esse crescimento, que são os trabalhadores. Não tem como aceitar isso”, apontou Antonio Neto durante a reunião.
Uma nova rodada de negociação será marcada em breve e deve ocorrer no início da próxima semana.