O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nesta sexta-feira (9) a variação anual do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2025. O indicador, que mede a inflação para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, acumulou alta de 3,90% no ano passado, abaixo dos 4,77% registrados em 2024.
O INPC é o índice oficial de referência para as negociações salariais, assim como para o reajuste anual de benefícios previdenciários do INSS acima de um salário mínimo e do seguro-desemprego. Este ano, ele também será utilizado para corrigir o limite de renda para acesso ao abono salarial do PIS/Pasep.
INPC vs. IPCA
Enquanto o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) é o índice mais conhecido e adotado como meta oficial de inflação pelo Banco Central, seu foco é mais amplo. Ele captura a variação de preços para domicílios com renda de 1 a 40 salários mínimos, refletindo uma cesta de consumo diversificada.
O INPC, por sua vez, tem um recorte mais específico e socialmente sensível: acompanha o custo de vida das famílias de baixa renda (1 a 5 salários mínimos), que destinam a maior parte de seus ganhos a itens essenciais como alimentação, habitação e transporte.
Por refletir com mais precisão o impacto da inflação no orçamento do trabalhador assalariado típico, é o indicador tradicionalmente adotado em acordos coletivos para reposição do poder de compra.
Em 2025, os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63%, desaceleração significativa frente à alta de 7,60% observada em 2024. Já o grupo dos não alimentícios registrou inflação de 4,32% (ante 3,88% em 2024). A principal pressão veio de itens como energia elétrica residencial e aluguel.
Sindpd reivindica aumento real de 3,6% na Campanha Salarial 2026
A divulgação do INPC oficializa o índice de aumento real pleiteado pelo Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo) na Campanha Salarial 2026. Com um pedido de reajuste de 7,5% para 2026 e o INPC fechado em 3,9%, a proposta representa um aumento real (reajuste acima da inflação) de 3,6% para os trabalhadores do setor. Para 2027, a pauta prevê reajuste equivalente ao INPC de 2026 acrescido de 2%.
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Além do aumento salarial, a proposta para a Convenção Coletiva para 2026/2027 inclui outras reivindicações importantes, como:
- Auxílio-Refeição: Aumento de 16,67% em 2026, elevando o valor diário mínimo para R$ 35, com meta de R$ 40 em 2027.
- Licença Parental: Ampliação para 180 dias, com regras específicas para casais empregados na mesma empresa.
- Fim da Escala 6×1: Vedação da implementação da escala de seis dias trabalhados por um de descanso sem acordo coletivo específico.
- Day Off de Aniversário: Direito a uma folga remunerada no dia do aniversário do trabalhador.
- PLR Automático: Estabelecimento de multa de R$ 1.900 por funcionário para empresas que não iniciarem negociações sobre Participação nos Lucros e Resultados no prazo estabelecido.
- Home Office: Criação de ajuda de custo de R$ 150 mensais para trabalho remoto e garantia do direito à desconexão.
A pauta foi aprovada por milhares de trabalhadores no fim do ano passado, com 96,57% dos votos favoráveis. O Sindpd enviou a pauta ao sindicato patronal logo em seguida, e a primeira reunião de negociação já tem data marcada: será na próxima quinta-feira (15), às 14h, na sede do Seprosp (Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo).
Assim como na última negociação, o Sindpd-SP irá solicitar que as reuniões sejam gravadas e disponibilizadas para toda a categoria. As gravações devem ser publicadas no canal do Sindpd no Youtube, conforme ocorreu nas negociações da última CCT.