Em 2025, o Pix se consolidou como a infraestrutura financeira central do país, movimentando R$ 35,4 trilhões e processando 79,8 bilhões de transações. Os números refletem uma transformação digital massiva e alteram a dinâmica econômica nacional.
A dimensão do valor movimentado pelo sistema de pagamentos instantâneos no ano passado ganha proporção quando comparada ao tamanho da economia brasileira: equivale a três vezes o Produto Interno Bruto (PIB) de 2024, que foi de R$ 11,8 trilhões. O crescimento em relação a 2024 foi de 33.64% no volume financeiro e de 25.67% no número de transações.
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Lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020 pelo Banco Central, o Pix completou cinco anos como a principal ferramenta de pagamento do país. Sua trajetória mostra uma adoção rápida e uma expansão constante de funcionalidades, que começou com transferências instantâneas e hoje inclui pagamentos automáticos, agendados, por aproximação e cobranças.
O crescimento exponencial do sistema desde o seu lançamento é evidenciado pelos números. Em 2020, com pouco mais de um mês de operação, movimentou R$ 133,1 bilhões em 154 milhões de transações. No primeiro ano completo, 2021, os valores saltaram para R$ 4,5 trilhões e 7,98 bilhões de transações. A consolidação ocorreu em 2022, com R$ 9,5 trilhões movimentados.
Os anos seguintes registraram crescimentos sustentados. Em 2023, o volume financeiro atingiu R$ 14,5 trilhões, chegando a R$ 26,46 trilhões em 2024, valor equivalente a 2,2 vezes o PIB daquele ano. O marco de 2025, com R$ 35,36 trilhões, confirma a tendência de ascensão.
Penetração social
O sistema alcança uma base de usuários que cobre a maior parte da população adulta brasileira. Mais de 170 milhões de pessoas físicas utilizam o Pix, o que corresponde a aproximadamente 80% da população. Além disso, mais de 20 milhões de empresas também adotaram a ferramenta.
Para o Banco Central, o Pix cumpriu um papel de inclusão financeira, integrando ao sistema bancário digital pessoas que antes usavam contas apenas para receber salários e realizar saques. Especialistas apontam que a ferramenta alterou a percepção sobre o dinheiro, tornando-o mais digital e integrado ao cotidiano.
Desafios na esteira do crescimento
O sucesso e a velocidade das transações também atraíram a atenção de criminosos. Em 2024, as perdas com fraudes totalizaram R$ 6,5 bilhões, um aumento de 80% em relação ao ano anterior. Em resposta, o Banco Central implementou novas regras de segurança, com foco no aprimoramento do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
O objetivo das mudanças, que entraram em vigor no início de fevereiro de 2026, é reduzir as fraudes em até 40% e tornar o processo de bloqueio e restituição de valores mais ágil. Antes das novas regras, a taxa média de recuperação de valores por parte dos bancos era inferior a 10%.
Expansão das funcionalidades
A autoridade monetária brasileira já estuda e desenvolve novas fronteiras para o sistema. Entre as funcionalidades em implementação ou análise para os próximos anos estão o Pix Internacional, para expansão de um modelo definitivo para pagamentos transnacionais; o Pix Parcelado, para regulamentação e padronização da funcionalidade; e o Pix em Garantia, que prevê o uso de recebíveis futuros via Pix como garantia para empréstimos.
Também estão em desenvolvimento a integração com o sistema da Receita Federal para recolhimento de impostos em tempo real e novas modalidades para empresas, como Cobrança Híbrida e Pagamento de Duplicatas. A consolidação do sistema de pagamentos brasileiro como um caso de soberania digital e sua projeção internacional são temas de discussão em fóruns globais.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)