Um dos registros mais antigos do cinema envolvendo robôs voltou a ver a luz do dia após mais de um século. A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos anunciou a restauração de Gugusse et l’Automate (“Gugusse e o Autômato”), curta dirigido em 1897 pelo pioneiro francês Georges Méliès.
A produção surgiu apenas dois anos depois de L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat, de Auguste Lumière e Louis Lumière, frequentemente apontado como um dos primeiros filmes da história do cinema.
Durante décadas, acreditava-se que a obra estivesse perdida. Isso mudou em 2025, quando um exemplar foi localizado na coleção de William Delisle Frisbee, artista itinerante que percorria cidades exibindo alguns dos primeiros filmes já produzidos.
As dez bobinas de nitrato que continham fragmentos do curta permaneceram guardadas por décadas em porões até serem doadas à Biblioteca do Congresso. Após a descoberta, o Centro Nacional de Conservação Audiovisual da instituição iniciou um trabalho de restauração e digitalização do material.
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“Esta é uma daquelas coleções que nos faz perceber por que fazemos isso”, disse Courtney Holschuh, técnica do Centro Nacional de Conservação Audiovisual dos Estados Unidos que restaurou o arquivo, em entrevista à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.
A descoberta e a história do curta
Bill McFarland contou à Biblioteca do Congresso que se empolgou ao encontrar os materiais que pertenceram a seu bisavô, William Delisle Frisbee. No final do século XIX e início do XX, ele percorria diferentes cidades com uma charrete exibindo alguns dos primeiros filmes do mundo.
Ao encontrar as bobinas antigas, McFarland decidiu doá-las à instituição norte-americana, o que permitiu que o material fosse preservado.
O curta, com cerca de 40 segundos de duração, mostra um palhaço chamado Gugusse manipulando um autômato, interpretado por outro ator. Em cena, o personagem gira uma manivela para colocar o robô em movimento.
A situação muda quando o autômato aparentemente se rebela contra seu criador e golpeia o palhaço com um bastão, iniciando um breve confronto entre os dois. No desfecho, Gugusse acaba destruindo seu adversário mecânico.
Apesar de ter sido criado no fim do século XIX, o enredo aborda uma ideia ainda discutida atualmente: a possibilidade de máquinas se voltarem contra os humanos.
Georges Méliès e a invenção do cinema fantástico
Considerado um dos grandes pioneiros do cinema de ficção científica, Georges Méliès nasceu em 1861, em Paris. Inspirado pelas histórias de Jules Verne, o cineasta seguiu um caminho diferente do de muitos contemporâneos, que registravam apenas cenas cotidianas.
Em vez disso, Méliès passou a criar cenários, truques visuais e efeitos especiais capazes de dar ao público a sensação de magia e fantasia na tela.
Segundo o site New Atlas, a ideia de explorar esse tipo de ilusão surgiu em 1896, quando sua câmera travou durante uma gravação na Place de l’Opéra, em Paris. O defeito técnico fez com que um ônibus parecesse se transformar em um carro fúnebre, inspirando o diretor a experimentar transformações visuais em seus filmes.
Entre suas obras mais conhecidas estão Le Voyage dans la Lune, Voyage à travers l’impossible e Le Manoir du Diable, considerado por muitos o primeiro filme de terror da história.
Ao longo da carreira, Méliès produziu mais de 400 filmes e ficou conhecido como “o mágico do cinema”, sendo lembrado até hoje como uma das figuras mais influentes na formação da indústria cinematográfica.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos)
