Vídeos publicados nas redes sociais levantaram um alerta sobre o uso de fones de ouvido Bluetooth e um suposto risco de surgimento de nódulos na tireoide. O assunto ganhou repercussão após a divulgação de um estudo publicado em 2024 na revista Scientific Reports, que analisou dados de usuários com apoio de inteligência artificial para investigar possíveis fatores associados ao problema.
Apesar da viralização, os próprios autores da pesquisa e especialistas ouvidos pelo G1 afirmam que o estudo não comprova que os fones Bluetooth causam nódulos. O que foi identificado é apenas uma associação estatística, que ainda precisa ser confirmada por pesquisas mais aprofundadas.
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O trabalho analisou cerca de 600 questionários e utilizou modelos de inteligência artificial para identificar fatores ligados à presença de nódulos na tireoide. Após ajustes nos dados para reduzir distorções, dois fatores se destacaram: a idade dos participantes e o tempo diário de uso de fones Bluetooth.
Dentro do conjunto de dados analisado, a probabilidade de nódulos aumentou conforme o tempo de uso diário dos fones. O modelo estatístico utilizado apresentou um AUC de 0,95, indicador que sugere alta capacidade de previsão dentro da amostra estudada.
Os pesquisadores explicam que a tireoide é um órgão sensível à radiação e que dispositivos Bluetooth emitem radiação não ionizante, a mesma categoria de sinais usados por celulares e redes Wi-Fi. O estudo cita pesquisas anteriores que levantam a hipótese de possíveis efeitos biológicos, como alterações hormonais, mas destaca que as evidências em humanos ainda são limitadas.
A própria pesquisa aponta limitações importantes. Os dados foram fornecidos pelos participantes, o que pode gerar imprecisões, e a amostra analisada é majoritariamente jovem, dificultando a generalização dos resultados para toda a população. Os autores também reforçam que identificar uma associação não significa comprovar uma relação direta de causa e efeito, algo que exigiria estudos de longo prazo e com grupos de controle.
Enquanto isso, especialistas alertam que vídeos nas redes sociais exageram as conclusões do estudo. Segundo eles, não há evidências consistentes de efeitos nocivos da radiofrequência dentro dos limites recomendados. O principal risco conhecido do uso de fones de ouvido continua sendo a exposição prolongada a volumes elevados, que pode prejudicar a audição.
Os pesquisadores classificam o trabalho como um primeiro passo para entender melhor o tema e defendem a realização de novas investigações. Até que haja respostas mais conclusivas, a recomendação é seguir boas práticas no uso de fones de ouvido, como a regra 60/60: utilizar o dispositivo com cerca de 60% do volume por no máximo 60 minutos, fazendo pausas para descanso dos ouvidos.
(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)