Carnaval – O carnaval ainda não começou oficialmente, mas a cidade já sente o clima da folia: grupos de nas redes sociais agitam blocos, viagens e fantasias. Nesse contexto, uma questão cada vez mais presente na vida profissional volta à tona: até que ponto é possível aproveitar a festa sem comprometer a carreira?
Um episódio recente evidencia bem os riscos. Em janeiro, um vendedor de uma concessionária publicou, por engano, vídeos em que aparecia se divertindo durante um show da cantora Anitta no perfil oficial da empresa, em vez de sua conta pessoal. As imagens, que mostravam o profissional com um copo na mão e pulando durante o evento, viralizaram rapidamente, gerando engajamento e repercussão.
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Embora o caso tenha sido tratado com humor, ele levantou o debate sobre os limites entre lazer e responsabilidade profissional. Na era das redes sociais, comportamentos fora do ambiente de trabalho passam a influenciar a opinião de colegas, gestores e empresas.
Para Thiago Brehmer, sócio da CLA Brasil, as redes sociais ampliaram a visibilidade de ações que antes ficavam restritas à vida privada. “Mesmo fora do horário de trabalho, uma atitude pode ser registrada, compartilhada e ganhar proporções grandes em pouco tempo. Conteúdos também podem ser interpretados fora de contexto, gerando consequências difíceis de reverter”, afirma.
Brehmer observa que pequenas atitudes comunicam valores, posicionamentos e maturidade. Dependendo do contexto, podem entrar em conflito com a ética da empresa ou com o comportamento esperado.
Além das postagens, atitudes no dia a dia também afetam a reputação profissional. Faltas injustificadas, atrasos, ressaca no expediente, comentários inadequados ou comportamentos impróprios em espaços públicos podem prejudicar a credibilidade de um funcionário. Casos graves, como apresentação de atestado falso, podem levar a demissão por justa causa e até consequências legais.
Segundo Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, o foco não é impedir a diversão, mas orientar sobre equilíbrio e bom senso. “Não se trata de criar pânico. O objetivo é trazer clareza para que todos aproveitem a folia sem colocar a carreira em risco”, explica. Para as empresas, o que conta é o histórico de comportamento, e não um episódio isolado, sendo responsabilidade, compromisso e ética os principais pontos da reputação profissional.
Nesse cenário, as redes sociais agem como meios intensificadores. Uma postagem mal pensada pode gerar repercussão negativa, mas tende a ser superada quando o histórico do profissional é bom. Já atrasos constantes, baixa produtividade ou desrespeito são muito mais difíceis de reverter.
O limite entre vida privada e pública está cada vez menos definido, e muitos profissionais acreditam que bloquear chefes ou colegas nas redes garante proteção, o que não é verdade. Mesmo perfis fechados podem ter conteúdos compartilhados rapidamente, e comportamentos duvidosos podem gerar dúvidas sobre a capacidade de um profissional, principalmente em cargos de liderança.
Para evitar problemas, Brehmer sugere uma regra prática: antes de postar ou agir, pergunte-se se você se sentiria confortável se gestores, colegas ou clientes vissem a situação. “Se houver dúvida, é melhor repensar. Toda atitude comunica algo, dentro ou fora das redes sociais”, reforça.
No final das contas, aproveitar o carnaval com consciência e responsabilidade continua sendo o melhor caminho para curtir sem prejudicar a carreira.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik)
