Riscos cibernéticos – Quase metade das empresas da América Latina enfrentou, nos últimos 12 meses, ataques cibernéticos que comprometeram sistemas ciberfísicos (CPS) e ambientes operacionais. O cenário foi identificado em uma pesquisa da Claroty que ouviu dois mil líderes de negócios, tecnologia e segurança em mais de 40 países, incluindo o Brasil.
De acordo com o estudo The Global State of Operational Security 2026: Protecting Operations Evolves as a Core Business Capability, 45% das organizações entrevistadas na região sofreram esse tipo de incidente. Os resultados destacam a importância da segurança operacional para a resiliência corporativa, especialmente em setores como indústria, saúde, energia e transporte.
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Os impactos dos ataques também se refletem na continuidade dos negócios. Entre as empresas latino-americanas que registraram incidentes envolvendo CPS no período analisado, 55% relataram a paralisação completa das operações. Desse total, 30% afirmaram que as interrupções duraram entre cinco e 12 horas, enquanto 13% enfrentaram paralisações que se estenderam por três a sete dias.
“Quando um ataque atinge um sistema ciberfísico, o impacto potencial deixa de estar restrito ao ambiente digital. Ele pode afetar equipamentos, processos produtivos, prestação de serviços, segurança das pessoas, além de comprometer a capacidade da empresa de manter suas operações. Por isso, proteger os sistemas ciberfísicos precisa fazer parte da estratégia de resiliência do negócio”, afirma Fernando Zolko, vice-presidente regional para a América Latina na Claroty.
Acesso de terceiros aumenta os riscos operacionais
O acesso remoto concedido a fornecedores, parceiros e prestadores de serviços aparece entre os principais pontos de vulnerabilidade identificados pela pesquisa. Na América Latina, 62% dos líderes entrevistados consideram esse tipo de conexão um risco direto para os ambientes operacionais.
Dentro desse grupo, 68% afirmaram que suas organizações já sofreram pelo menos um incidente relacionado ao acesso de terceiros que provocou impactos nas operações. O levantamento também identificou limitações no acompanhamento dessas conexões: 38% dos participantes disseram contar com monitoramento parcial ou não monitorar os acessos de terceiros aos ativos operacionais.
Para Steve Thompson, gerente geral das Américas na Claroty, controlar essas conexões é fundamental para reduzir a exposição das organizações a ameaças.
“Os acessos de terceiros são essenciais para a manutenção e operação de muitos ambientes industriais e de infraestrutura, mas também fazem parte da superfície de risco. As organizações precisam saber quem acessa seus ativos, quando, por qual razão e quais atividades são realizadas durante a sessão”, afirma.
Inteligência artificial traz benefícios e novas ameaças
A adoção da inteligência artificial (IA) em ambientes operacionais também foi abordada pelo estudo. Na América Latina, 35% dos entrevistados afirmaram que suas organizações já utilizam a tecnologia em ambientes de tecnologia operacional (OT) e sistemas ciberfísicos (CPS).
Entre os participantes que relataram o uso de IA, 55% identificaram ganhos de eficiência operacional. Por outro lado, 28% apontaram o surgimento de novos riscos de cibersegurança associados à adoção da tecnologia.
Quando questionados sobre as ameaças à integridade operacional, 29% dos entrevistados apontaram os ataques cibernéticos potencializados por IA como uma das principais preocupações. Os comprometimentos da cadeia de suprimentos aparecem em seguida, com 27% das respostas. Também foram citados os ataques de ransomware, mencionados por 18%, e as vulnerabilidades em ativos legados de tecnologia operacional, apontadas por 14%.
Integração entre TI e OT ganha relevância
A pesquisa também identificou desafios relacionados à governança da segurança nas organizações. Segundo o levantamento, 40% dos participantes afirmaram possuir integração total entre a segurança da tecnologia da informação (TI) e a dos sistemas ciberfísicos.
Além disso, 30% consideram a gestão estruturada de riscos e uma segurança operacional robusta fatores determinantes para o sucesso de iniciativas de transformação digital.
Diante desse cenário, a Claroty aponta cinco prioridades para fortalecer a resiliência operacional das empresas:
• Integrar a governança de TI e OT, reduzindo a fragmentação de responsabilidades e investimentos;
• Identificar processos e ativos críticos, considerando suas dependências e os impactos para o negócio;
• Ampliar a visibilidade sobre ambientes ciberfísicos e acessos de terceiros;
• Adotar uma gestão contínua de riscos, combinando prevenção, detecção, resposta e recuperação;
• Incorporar a resiliência operacional à estratégia empresarial, em vez de restringi-la às áreas de segurança ou compliance.
A empresa defende que a proteção dos sistemas ciberfísicos deve estar diretamente vinculada à continuidade das atividades e ao planejamento estratégico das organizações.
“Resiliência operacional começa pela compreensão dos processos e sistemas ciberfísicos críticos para o negócio, suas dependências e os riscos que podem afetar sua continuidade. À medida que ambientes digitais e físicos estão cada vez mais conectados, proteger essas operações passa a ser parte fundamental da estratégia empresarial”, conclui Zolko.
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(Com informações de It Forum)
(Foto: Reprodução/Magnific)
