Patrões insistem em reajuste pelo INPC – Terminou sem acordo, nesta quinta-feira (22), a 2ª Rodada de Negociação entre representantes do Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo) e do Sindicato das Empresas de Processamento de Dados e Serviços de Informática do Estado de São Paulo (Seprosp). Os patrões insistiram nas mesmas propostas econômicas feitas na 1ª reunião, ou seja, de um reajuste salarial de 3,9%, valor referente ao INPC de 2025, e um aumento de 6% aplicável aos pisos salariais, ambas recusadas pelo Sindpd.
Foram acordadas a manutenção de todas as cláusulas inalteradas da Convenção Coletiva de Trabalho vigente e a exclusão de três cláusulas superadas. Nas discussões sobre o Auxílio-Refeição, o Seprosp manteve a proposta de R$ 32 como valor mínimo líquido para 2026, mas aceitou constar na cláusula do benefício, a partir de 2027, o pagamento expresso do valor 22 dias por mês, 12 meses por ano, garantindo o pagamento do VR nas férias. O Sindpd defendeu que a questão do pagamento do benefício nas férias seja explicitada na cláusula valendo já a partir de 2026.
O sindicato das empresas também ofertou o aumento da licença-paternidade de 5 dias úteis para 7 dias úteis, recebemos como contraproposta uma antecipação da legislação que está em vias de ser aprovada no Senado Federal: 10 dias úteis em 2026 e 20 dias úteis em 2027, um ganho de dois anos para a categoria. Na cláusula referente à assistência médica, os patrões defenderam a inclusão de um artigo que prevê a inclusão de coparticipação dos trabalhadores no custeio do benefício, enquanto o Sindpd manteve a proposta de aumentar a participação mínima das empresas de 30% para 50% do valor total do plano de saúde.
O Seprosp voltou a rejeitar a inclusão de cláusulas relacionadas à inclusão de mulheres, à diversidade, de respeito ao meio-ambiente, de cuidados com a saúde mental e de políticas sobre direito à capacitação. O Sindpd esclareceu que são cláusulas que não trazem nenhum custo às empresas e propôs deixar claro na nova CCT que se tratam de cláusulas não sujeitas a multas por descumprimento, proposta que será analisada pelos patrões.
Pisos Salariais
O presidente do Sindpd, Antonio Neto, rejeitou a proposta de reajuste de 6% nos pisos salariais, citando uma pesquisa que mostrar que 43% das empresas de TI encontram dificuldades de contratar no setor, dado resultante, segundo Neto, pelo baixo salário ofertados aos profissionais que estão entrando no mercado de trabalho. Em enquete realizada pelo Sindpd nos últimos dias e que contou com mais de 4 mil participantes, 53% dos profissionais declaram conhecerem colegas que ganham o piso salarial da categoria na função que ocupam. Quase 80% (78,4%) dos profissionais opinaram que os pisos da categoria de TI não são atrativos para quem está buscando uma profissão.
Outro dado importante apurado pela enquete se refere ao “aumento espontâneo” que o Seprosp defendeu que ocorreu no setor de TI em São Paulo nos últimos anos. 78,5% dos participantes da pesquisa informaram que não conhecem nenhum caso de um profissional que tenha recebido aumento além dos previstos nas Convenções Coletivas do Sindpd no período. Além disso, mais de 80% dos participantes da enquete dizem não acharem justo que um profissional técnico tenha o mesmo que o piso de um profissional com graduação. O Sindpd propõe, em sua pauta, um piso salarial para o profissional com nível superior, no valor de R$ 5.180,00.
Em um esforço para fazer avançarem as negociações, o Sindpd contrapropôs um reajuste nos pisos de 8%, em conjunto com um reajuste salarial de 6%. Antonio Neto reiterou a importância do fim da escala 6×1, deixando expresso na Convenção que as 40 horas semanais precisam que ser cumpridas no máximo em 5 dias da semana. Também frisou a necessidade de uma cláusula que insira na nova CCT o entendimento do Supremo Tribunal Federal a respeito das demissões em massa (Tema 638), da obrigatoriedade da participação prévia da entidade sindical nestes casos.
O presidente do Sindpd também defendeu a centralidade da inclusão de cláusulas referentes ao cumprimento de cotas para Pessoas com Deficiência e de Jovem Aprendiz, legislações já consolidadas pela Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012). O sindicato patronal vai analisar todas as ponderações feitas pelo Sindpd e apresentará uma nova proposta na próxima reunião, que deve ocorrer na próxima semana.