Anúncios fraudulentos – O Google informou, nesta quinta-feira (16), que removeu 374,8 milhões de anúncios considerados fraudulentos no Brasil por meio da plataforma Google Ads. Além disso, a empresa suspendeu 1,3 milhão de contas de anunciantes com endereço de faturamento no país por descumprimento das políticas do serviço.
Os dados fazem parte do Relatório de Segurança de Anúncios 2025, publicação que reúne as ações da companhia no enfrentamento a fraudes e golpes em publicidade digital. Esta é a segunda edição a trazer recorte específico do Brasil, após a divulgação anterior com dados de 2024.
LEIA: Conversas com IA podem comprometer sigilo jurídico
Segundo a empresa, cerca de 99% dos anúncios irregulares são barrados antes mesmo de serem exibidos aos usuários.
Principais violações identificadas
No Brasil, as infrações mais recorrentes envolvem:
• Deturpação: anúncios que induzem o usuário ao erro ou apresentam informações enganosas;
• Abuso da rede de anúncios: casos em que o link leva a um destino diferente do prometido;
• Conteúdo sexual: materiais que infringem regras ao exibir conteúdo adulto explícito;
• Jogos de azar: anúncios de apostas sem a devida autorização exigida;
• Encontros e acompanhantes: peças que desrespeitam diretrizes, como a exibição de pessoas em trajes íntimos.
Políticas e proteção de usuários
Priscila Couto, líder de Confiabilidade e Segurança do Google na América Latina, afirmou que a empresa adota, em alguns casos, regras mais rígidas do que as previstas nas legislações locais.
Ela destacou iniciativas voltadas à proteção de menores, lembrando que medidas já existiam antes mesmo da criação de regulamentações específicas no Brasil.
“Há alguns anos decidimos proibir a personalização de anúncios para crianças e adolescentes a nível global. Além disso, oferecemos para pais e mães o Family Link, que permite controlar contas Google de menores de idade”, lembrou.
Uso de inteligência artificial
O relatório também destaca o uso ampliado do Gemini no combate a fraudes. Em escala global, o Google informou ter removido 8,3 bilhões de anúncios que violavam regras e suspendido 24,9 milhões de contas.
De acordo com Couto, a adoção de inteligência artificial permitiu ampliar significativamente a capacidade de análise, com processamento de quatro vezes mais denúncias em comparação com 2024.
“A IA ajuda a fazer a fiscalização proativa e também auxilia a evitar falsos positivos [anúncios identificados erroneamente como fraudulentos]. Nesses casos, a IA nos ajuda a eliminar vieses que todos os seres humanos têm”.
Apesar disso, ela ressaltou que as denúncias feitas por usuários continuam sendo relevantes, embora representem uma parcela menor das detecções.
Golpes e adaptação constante
O ambiente de anúncios digitais segue sendo alvo frequente de criminosos, especialmente por meio de técnicas como phishing, em que marcas conhecidas são usadas para enganar vítimas.
Um exemplo recente citado foi o uso da plataforma 1Campaign por cibercriminosos para distribuir anúncios maliciosos de forma disfarçada, caso identificado pela empresa de cibersegurança Varonis.
Couto classificou o combate a esse tipo de prática como um “trabalho de gato e rato”, destacando a constante adaptação dos fraudadores. Ainda assim, afirmou que os sistemas da empresa conseguem reagir rapidamente a novas ameaças.
“Se for fraudado [o anúncio], ele vai ser derrubado”, garantiu. “Se for uma dinâmica nova de golpe, tudo já é absorvido pela LLM [Grande Modelo de Linguagem, plataforma base para a IA] e acaba valendo para toda a base do Google. Ou seja, nesse tipo de situação de um golpe novo, é gerado um alerta não só para os sistemas do Google no Brasil, mas no mundo inteiro”.
(Com informações Tec Mundo)
(Foto: Reprodução/Freepik)