Celulares roubados – A investigação que levou à prisão de 15 suspeitos em São Paulo identificou uma estrutura especializada em fazer com que celulares roubados voltassem a ser comercializados com aparência de legalidade. Para isso, o grupo recorria à alteração de IMEIs, à fabricação de notas fiscais fraudulentas e ao trabalho de técnicos conhecidos no meio criminoso como “icloudeiros”.
Segundo o Ministério Público, esses profissionais participavam de uma das etapas mais elaboradas da operação. Depois de serem recebidos por integrantes responsáveis pela receptação, os aparelhos eram levados a laboratórios clandestinos, onde passavam por procedimentos destinados a modificar seus dados de identificação.
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O que é o IMEI
O IMEI pode ser comparado ao número de série de um celular. Esse código permite que operadoras, fabricantes e órgãos públicos reconheçam individualmente cada aparelho.
Conforme a investigação, os criminosos se aproveitavam da falta de integração entre diferentes bases de dados para modificar essa identificação. A técnica consistia em retirar o IMEI associado ao celular roubado e substituí-lo pelo número de um aparelho que estava inativo.
Com a alteração, o telefone passava a circular utilizando uma identificação que não estava diretamente vinculada ao registro do roubo, o que dificultava a detecção imediata da irregularidade.
Os investigadores fazem uma comparação com a clonagem da placa de um veículo roubado. Na prática, o celular deixava de apresentar a identificação relacionada ao crime e passava a utilizar uma nova.
A atuação dos ‘icloudeiros’
Os chamados “icloudeiros” eram responsáveis pelos procedimentos técnicos realizados nos aparelhos. Interceptações examinadas pelos investigadores registraram conversas sobre a alteração de números de IMEI e solicitações para desbloquear celulares que apresentavam restrições decorrentes de roubos.
Um dos suspeitos identificados como integrante desse grupo foi detido durante a operação. Para o Ministério Público, a atuação dos “icloudeiros” era essencial para que os aparelhos pudessem passar novamente a ser comercializados.
Notas fiscais falsas
Após a modificação da identificação dos celulares, os criminosos partiam para uma segunda etapa: produzir documentos fiscais fraudulentos. A intenção era dar aos aparelhos uma aparência documental de regularidade.
De acordo com os promotores, a fraude não se limitava à troca do IMEI. O grupo também mantinha uma estrutura para produzir notas fiscais contendo dados específicos dos aparelhos, como modelo, capacidade de armazenamento, preço e número de identificação.
Na avaliação dos investigadores, a utilização conjunta de um IMEI adulterado e de uma nota fiscal falsa facilitava a reinserção dos celulares roubados no comércio, fazendo com que os produtos aparentassem ter origem regular.
Mudança nas regras
Como forma de dificultar fraudes desse tipo, o governo de São Paulo passou a exigir que o IMEI dos celulares seja informado na emissão de notas fiscais eletrônicas.
A medida pretende ampliar a possibilidade de rastrear os aparelhos comercializados e dificultar que celulares roubados sejam “esquentados” por meio da criação de documentação fiscal falsa.
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(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Magnific)
